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Turismo: o extremo e inacreditável absurdo

Afinal de contas, Jeri é Ceará! Para vir ao Ceará, sou obrigado a passar em Fortaleza? Isso é ignorar a comodidade do turista

01:30 | 24/01/2017
Após anos de estagnação e retrocessos nos números dos agregados turísticos do destino Ceará, que assistiu minguar sua participação nos mercados emissores, somos apresentados a uma decisão que chega a ser risível, para não dizer ridícula, para o Ceará. O Estado, por meio da Secretaria do Turismo (Setur), surta de vez e impõe condições esdrúxulas para as empresas aéreas operarem no novo Aeroporto de Jericoacoara: só pousa lá se passar por cá, em Fortaleza! É essa, o mais extravagante episódio decisório (pós-Acquario), a notícia veiculada no prestigioso jornal O POVO.

 

Não é assim que se resolve a inapetência das aéreas por Fortaleza. O anúncio da aérea Azul, que optou por Recife para ser seu hub aéreo no Nordeste, de implantar voos para Jeri a partir de seu hub (Recife), deveria ser motivo de comemoração e intenso apoio do Governo, que passará a contar com o sonhado fluxo aéreo para o seu Polo Turístico do Litoral Oeste do Estado, que tem em Jeri sua principal âncora de atratividade, em face da exuberância das praias e sua estrutura de acolhimento e lazer.


Na média, os turistas que utilizam o modal aéreo produzem renda turística ao destino bem superior que o modal rodoviário. Afinal de contas, Jeri é Ceará! Para vir ao Ceará, sou obrigado a passar em Fortaleza? Isso é ignorar a comodidade do turista/cliente do Brasil inteiro.


A esquisita posição da Setur de, na marra, atrelar o destino Jeri a Fortaleza é de uma extravagância surreal, apesar de legítimo o interesse do Estado de oportunizar ligações aéreas entre a Capital e um de seus polos turísticos mais relevantes. Mas não é impondo que o Estado vai sensibilizar as aéreas nacionais a fazê-lo.


Com múltiplos destinos disputando a atenção das aéreas, essa conduta da Setur é o chamado “tiro no pé”. O recomendado seria a Setur estar a dialogar com a Azul e apoiando um pouso em Fortaleza. Jamais impor condições infantis ao trade emissivo nacional. Assemelha-se à metáfora do “elefante em loja de cristais”.


Agora é esperar para conhecer o tamanho do estrago causado pelo elefante e torcer para que a lucidez seja restabelecida no sentido de não termos outro Mamute Turístico no Estado, como o Aeroporto de Aracati que, em seus três anos de inaugurado, jamais assistiu a um pouso de avião com turistas e, também, como o Terminal de Passageiros do Porto do Mucuripe, que anda a ver navios desde a sua inauguração. 

 

Allan Aguiar

aa@allanaguiar.com

Secretário do Turismo do Estado do Ceará

ADRIANO NOGUEIRA

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