VERSÃO IMPRESSA

"Oposição entre entretenimento e cultura"

A frequência em bancar festas, shows e afins com dinheiro público é ocorrência recente no Ceará

01:30 | 27/01/2017
Os programas de cortes de gastos e racionalidade administrativa que vêm sendo postos em prática pelo Governo do Ceará e pela Prefeitura de Fortaleza comprovam que é possível gastar muito menos recursos públicos mantendo a qualidade dos serviços oferecidos aos cidadãos. O valor em conjunto a ser economizado anualmente pelas duas instâncias de poder chega próximo de R$ 1 bilhão. Um montante nada desprezível.

 

É uma fortuna que, espera-se, será usada nas atividades fins dos governos, como saúde, educação e segurança. Em editorial anterior, foi sugerido que os nossos governantes incorporem definitivamente, esteja o País em crise ou não, a cultura da racionalidade administrativa e da parcimônia na gestão dos recursos públicos. Os cidadãos também precisam incorporar a cultura de cobrar atitudes austeras dos seus representantes.


Agora, pelo terceiro ano seguido, o governador Camilo Santana (PT) baixa decreto determinando que o Estado não patrocinará shows e eventos relacionados ao Carnaval.

Em nota, o Governo explicou que a medida é por “necessidade de se priorizar a realização de gastos públicos que se destinem às áreas com problemas recorrentes de atendimento emergencial, em especial nos Recursos Hídricos, Saúde e Segurança”.


Como as demandas nas citadas áreas serão sempre prementes, o ideal é que se elimine de uma vez por todas o fluxo de dinheiro público para o Carnaval e todos os eventos festivos, incluindo o período junino. A frequência em bancar festas, shows, quadrilhas (sem trocadilho) e afins com dinheiro público é uma ocorrência recente no Ceará. Tornou-se uma febre na década de 2000 e acabou estimulando muitas suspeitas de mal feitos.


O ideal é que o entretenimento seja custeado por quem o busca e é papel da iniciativa privada promover ofertas no ramo dos negócios no âmbito da chamada indústria cultural de massa. É evidente que o setor público pode (e deve) exercer papéis na oferta de cultura para consumo dos cidadãos. Porém, enquadrar o show business como atividade cultural é algo questionável. Tanto que os famosos shows e eventos de massa, quando promovidos pelos governos, quase sempre não se relacionam com as políticas públicas oriundas das pastas de cultura.


ADRIANO NOGUEIRA

TAGS