VERSÃO IMPRESSA

O medo devora a alma

01:30 | 23/01/2017
O Brasil é um país relapso e vacilante no enfrentamento do crime organizado e desorganizado dentro dos presídios. Hoje, quem controla muitas penitenciárias são facções criminosas. Basta ver que os amotinados de Alcaçuz estão ditando as regras há mais de sete dias. Não sei o que impede uma ação enérgica para estancar este descalabro. Temos policiais preparados para o combate contra criminosos armados – falta ordem de quem comanda. Quando estoura uma crise, falam em liberar recursos e construir presídios, coisas que não fizeram no passado e que, no momento, não resolve nada.

 

O governo federal criou uma comissão para cuidar da sangria do sistema. É aquela velha história: “se não quer resolver o problema, crie uma comissão”. Para relembrar os esquecidos, no ano de 2007, foi instalada uma CPI na Câmara dos Deputados para fazer uma radiografia dos desmandos no fracassado sistema prisional. Quis o destino que o atual presidente da República, senhor Michel Temer, fosse, à época, o presidente da Câmara quando o relatório final lhe foi entregue em 2009.


Tudo que está acontecendo hoje é reflexo da falta de providências que na CPI foram sugeridas em face da constatação de: superlotação, presos de todos os matizes reunidos no mesmo espaço, caos administrativo, falta de agentes de segurança, condições insalubres, livre comércio de drogas e armas. Tudo já era conhecido de todos nós - as rebeliões passadas são uma prova disto.


Infelizmente, a alma do Estado foi devorada pelo terror imposto por desalmados que não param de fazer o mal a sociedade. Tanto faz estar preso ou não; as ações criminosas são continuadas, pois ordens são dadas de dentro dos estabelecimentos prisionais. Poucos presídios funcionam dentro do rigor da lei.


Quando não se aplicam as virtudes da lei, florescem o crime e a violência, deixando todos nós à mercê de perigosos celerados que não hesitaram em perpetrar bárbaros crimes – são faces do mal que debocham da omissão do Estado. É um sistema hostil à vida. 

 

Walter Filho

walterfilhop@gmail.com

Promotor de justiça

ADRIANO NOGUEIRA

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