VERSÃO IMPRESSA

Nordeste: a seca e a economia

01:30 | 23/01/2017
 

O pensador e cientista estadunidense Benjamin Franklin, no alto da sua sabedoria, disse: “se as cidades forem destruídas e os campos forem conservados, as cidades ressurgirão; se queimarem os campos e conservarem as cidades, estas não sobreviverão”. Esta percepção responde a suprema importância das atividades econômicas desenvolvidas no ambiente do agronegócio, principalmente no Brasil. O longo período de seca que assola o Nordeste brasileiro, iniciado em 2012, ocasionou impacto negativo avassalador sobre a sua economia. Estudos indicam que, de 2006 a 2014, o PIB nordestino teve crescimento médio de 3.9% ao ano, em oposição ao PIB médio nacional de 3,5%. Agora, o cenário inverteu-se.


De acordo com dados da CNM, em um período de três anos (entre 2012 e 2015), o NE registrou prejuízos de R$ 104 bilhões com a seca, valor que representa 70% do total estimado para o País. Não nos esqueçamos de que a geração de riqueza no campo, em expressiva parte, é transferida para os setores de prestação de serviço, comércio e indústria, localizados notadamente em grandes centros urbanos.


Nessa lógica, o pensamento de Benjamin Franklin justifica plenamente como é importante a preservação dos campos, não só em termo de sustentabilidade hídrica, como também na introdução de modernas técnicas de cultivo e de manejo dos rebanhos. Tal ação pode ser observada nas fronteiras agrícolas localizadas principalmente no Centro-Sul brasileiro, contribuindo significativamente para o Brasil alcançar, em 2016, sua maior produção de grãos: 215 milhões de toneladas.


Por fim, apesar da seca que atinge especificamente a economia cearense, as previsões são de que uma boa quadra chuvosa está a caminho. Com isso, o ânimo do lavrador se reacende com vigor e o faz voltar a plantar. Aí, tudo melhora, retornando a geração de riquezas e o progresso para felicidade e bem-estar da nação brasileira, não só da nordestina.

 

Wilton Daher

wd.daher@uol.com.br

Vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (Ibef)

 

ADRIANO NOGUEIRA

TAGS