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Mauro Oliveira: O virtual na terra de Dragão do Mar

01:30 | 28/01/2017

Mauro Oliveira

amauroboliveira@gmail.com

Membro da Academia Aracatiense de Letras de Aracati; secretário de Tecnologia, Ciência e Cidade Inteligente de Aracati


Uber, Airbnb e Facebook são bons exemplos de um “estranho business” no mundo digital. Uber, a maior empresa de táxis do mundo, não tem um só veículo; Airbnb é o maior fornecedor de hospedagem sem ter um só hotel; o Face, a mais popular empresa de mídia, não produz conteúdo algum. Ora, são reais ou virtuais esses serviços digitais que hoje datilografamos em nosso “smart Remington”? Humm... há algo de diferente acontecendo debaixo do nosso nariz, digo, de nossos dedos.


Quem sabe essa “vibe” dialético-digital tenha inspirado a inquieta e criativa mente do prefeito de Aracati à genial ideia de uma secretaria virtual de Tecnologia, Ciência e Cidade Inteligente de Aracati (TECIA), possivelmente a primeira no Brasil.


A TECIA é virtual, uma vez que não existe na estrutura oficial, portanto sem ônus aos cofres da “viúva” (metáfora do dr. Cesar, da ETFCE). A TECIA é real à medida que esta parceria entre o IFCE e a Prefeitura de Aracati já produz resultados concretos na articulação das secretarias com redes de C&T, internacionais (cooperação científica com universidade francesa) e regionais (criação de um Centro de P&D em Aquicultura, uma “Embrapa” do Aracati).


Mas a estratégia maior será motivar o jovem a ser agente de transformação, como aconteceu no Pirambu Digital. Prepará-lo para “combater o bom combate” contra a pobreza e a ignorância que “astravancam o pogressio”; ajudá-lo a ser “dono de seu destino, capitão de sua alma”.


Definitivamente, é a inovação na gestão pública chegando ao vale do meu vô Raimundo... de Chiquinha. De gente corajosa que, em busca do peixe nosso de cada dia, adentra 5, 10, até 40 km, bem ali... lá acolá, na linha azul que separa o céu e o mar. De homens que “fazem a hora, não esperaram acontecer”, como Chico da Matilde, o herói que não deixou mais embarcar escravos no Ceará.


Aceitei o desafio do prefeito para liderar a TECIA. Fiquei entusiasmado com sua nova práxis, diferente da velha política que “passa a régua e paga a conta” depois das eleições, acomodando interesses questionáveis. Ao invés, profissionais competentes e comprometidos foram chamados para o secretariado.


De repente, outros municípios adotam esta(s) ideia(s) “made in Aracati”. É pagar pra ver... Ou melhor, não pagar. Já está pago!

ADRIANO NOGUEIRA

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