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Retrospectiva 2018: um ano marcado pela violência na política

17/06/2019 11:52:14

Dois mil e dezoito foi, certamente, um ano inesquecível para quem acompanhou o noticiário político. Passou com um peso de chumbo para setores da esquerda brasileira, e foi ainda mais pesado para o PT, que no mesmo ano viu seu maior líder, o ex-presidente Lula, ser condenado e preso e ainda perdeu as eleições presidenciais após mais de uma década de vitórias.

Mesmo para a tal direita, que saiu vencedora nas eleições e tem visto sua ideologia crescer entre os brasileiros, não foi um ano exatamente fácil, se levarmos em conta a campanha difícil, a violência e as denúncias de corrupção que começam a chegar. A verdade é, este não foi um ano fácil para ninguém — direita, esquerda, centro, isentões e gente como a gente. Profundamente marcado pela insegurança no campo social, 2018 viu a violência invadir a política brasileira.

Teve o assassinato da vereadora do Psol Marielle Franco, no Rio de Janeiro, e a tentativa de matar o candidato, hoje presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), em Minas Gerais. Na última quarta-feira, 26, teve até tiro na janela do gabinete do vereador de São Paulo Fernando Holiday (DEM).

Também teve troca de xingamentos e de agressões entre eleitores. Teve ameaças de morte a candidatos jogadas a esmo pelas redes sociais. Teve exclusões, bloqueios e indiretas nas redes sociais, laços desfeitos, intolerância maiúscula entre as relações. Teve deputados eleitos trocando socos e acusações nas cerimônias de diplomação.

Teve até violência fingida para tentar acusar o outro lado da disputa de violento: pichações forjadas nas paredes e automutilação de gente que marcou no corpo uma suástica para incriminar opositores.

Se a violência e a mentira marcaram o ano político, o que desejo para o ano que logo, logo chegará é exatamente o oposto: que a verdade e a tolerância sejam guias da vida social e política do País em 2019. Que o jornalismo e os políticos pratiquem a honestidade e que a verdade seja sempre dita, doa a quem doer.

Também desejo que o presidente eleito aja em favor dos brasileiros, e que a oposição cumpra seu papel dignamente, fugindo do "quanto pior, melhor". Por fim, faço votos de tolerância e de diálogo entre as pessoas, para que todas as opiniões possam ser externadas sem perseguição ideológica e haja democracia real em 2019. Feliz ano novo! n

Letícia Alves

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