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A guinada à direita e a onda de atentados políticos

19/04/2019 03:57:43
Luciano Teixeira Filho
Doutor em Filosofia e professor da Universidade Estadual do Ceará - Uece
luciano.teixeira@uece.b
Luciano Teixeira Filho Doutor em Filosofia e professor da Universidade Estadual do Ceará - Uece luciano.teixeira@uece.b (Foto: Acervo Pessoal)

No último dia 8, Catarina Rochamonte, professora substituta da Uece, no O POVO, afirmou que uma tal 'elite midiática e acadêmica', formada de "pseudointelectuais", não consegue entender a resistência à "doutrinação de viés materialista, marxista e progressista". Não quero lamentar pelo inexistente conteúdo argumentativo do artigo, repleto de frases feitas, já ouvidas aos montes em bem menos pretensiosos posts da internet. Quero falar da afirmação de que a vitória do candidato do PSL significa a resistência messiânica à "devastação moral". Afirmação que já é deslegitimada pelas "prováveis fraudes nas urnas eletrônicas", afirmada pela autora. Não fico impressionado com a forma esquizoide do texto. Na verdade, o que se tem é um exemplar médio do estado intelectual do conservadorismo brasileiro. "Liberal na economia, conservador nos costumes" se define esta "nova" direita. Defendem a liberdade econômica, mas não têm o mesmo entusiasmo quando se fala da liberdade de autodeterminação integral dos indivíduos. Pelo contrário, o ímpeto de autodefesa feminino, homossexual, transexual, negro, enfim, é tratado com agressivas expressões, como "devastação moral". Se defendem: "não somos contra gays. Somos contra a ideologia de gênero." Não sabemos quem são os ideólogos de gênero, mas conhecemos essa estratégia de tomar o poder: acusam algo abstrato para que o alvo não seja vencível, o que mantém a militância em marcha. O risco dessa abstração é que todos são potenciais inimigos. O caso do candidato do PSL é emblemático. Nas últimas três décadas, o candidato vem lançando alvos e munição ao vento. Resultado: um atentado contra a sua vida e dezenas de outros contra alvos difusos, considerados seus opositores. Devo dizer que sou progressista e acredito que os modos de vida não podem ser subtraídos. Quando o poder econômico ou político, de qualquer matiz, assassina trans, gays, lésbicas, negros ou mulheres, eu só posso ser contra. Se a estrutura social cria contextos em que é impossível a realização ética da pluralidade dos indivíduos, defendo que é preciso mudar. n

Luciano Teixeira Filho

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