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Jornal
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Jornalismo em tempos de cólera

21/05/2019 00:31:23

Tempos de tensão (também) política desencadeiam uma série de questionamentos à cobertura jornalística. Especialmente neste período de eleições, as atenções se voltam ao jornalismo. É hora de, ao tempo em que se tenta apresentar um debate útil e indispensável, experimentar ações a fim de serenizar conflitos, sem perder, contudo, o fio da informação.

Na última sexta-feira, O POVO publicou uma dessas tentativas. No Dia das Crianças, quando normalmente investe numa primeira página sobre o tema, voltada ao assunto mais lúdico, o jornal deixou a matéria de lado e preferiu explorar o apaziguamento. Com uma imagem de um coração costurado, sob o título "Não espalhe o ódio", o jornal trouxe a discussão acerca do diálogo em tempos de cólera.

Milhares de curtidas, muitos compartilhamentos nas redes sociais. A maioria dos comentários na postagem, entretanto, foi de encontro ao que propunha a capa. O ódio que tomou conta da campanha política invadiu as redes. Alguns internautas usaram a postagem para defender seus candidatos; outros viam notícia falsa na informação que não lhes agradava. É difícil, mas a tentativa não pode ser em vão. O jornalismo não deve sucumbir às reações adversas do que não se gosta. Insisto no papel social, na função formativa e informativa que a comunicação carrega.

Os tempos são desafiadores. Os ataques à imprensa e aos jornalistas assustam, mas não podem amedrontar. Criticar a mídia faz parte do jogo democrático, e é saudável que existam as críticas. Promover uma guerra e incitar agressões a quem quer que seja é um perigo. Silenciar não deve ser a resposta.

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