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25/05/2019 08:13:28
Francisco Moreira Ribeiro
Cientista Político
chicomoreira@uol.com.br
Francisco Moreira Ribeiro Cientista Político chicomoreira@uol.com.br (Foto: Acervo Pessoal)

A eleição é um dos momentos que simbolicamente efetiva o fundamento da democracia, o instante do empoderamento dos eleitores que escolhe "livremente" seus representantes ao Legislativo e Executivo que irão exercer o poder em seu nome. É justamente esse procedimento que tem sido inibido pelo uso cada vez mais amplo da contra informação ou da informação deturpada e do modo que chega ao eleitor.

A atual conjuntura política não pode ser compreendida se não fizermos um retrospecto da história recente do País, desde os arranjos conciliatórios da Nova República que envolvem os vários atores institucionais durante o período ditatorial, que se traduzem na ideia de esquecimento e jogar para baixo do tapete da história os espectros que agora nos assombram. O ano de 2013 foi o marco nesse processo e já indicava que a (in)tolerância de determinados setores da sociedade com a "política" e os políticos havia se exaurido, as várias leituras no campo político tiveram reflexo direto nas eleições de 2014 e no afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Esta eleição marcada pela polarização e agressividade, alarga ainda mais o fosso que separa as tendências que predominam no cenário político. As falas os gestos que ao longo da campanha procuram minar as instituições, a contestação (antecipada) da lisura do pleito, falsos rumores de fraudes, criando junto ao eleitor uma sensação de insegurança e descrédito. Os fatos do cotidiano estão aí a demonstrar que o pleito não traz no seu âmago os remédios necessários para apaziguamento de uma sociedade dilacerada pelos acordos feitos pelo alto, em gabinetes, porões, fora de agendas, onde o público é um mero detalhe. n

Francisco Moreira

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