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Primeira-ministra britânica renuncia e deixará o cargo em junho

| Theresa May | O sucessor da primeira-ministra britânica terá que ser eleito para o cargo de líder do Partido Conservador. Ele será nomeado até 20 de julho

25/05/2019 00:10:24
THERESA MAY chorou ao comunicar a renúncia
THERESA MAY chorou ao comunicar a renúncia (Foto: TOLGA AKMEN/AFP)

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou ontem que deixará o cargo em 7 de junho para que o Partido Conservador possa escolher um novo líder, que será responsável por concretizar o Brexit, algo que ela não conseguiu fazer. "Tentei três vezes, mas não tive capacidade de fazer o Parlamento aprovar o acordo de saída da União Europeia", afirmou, à beira das lágrimas, diante das câmeras de televisão na residência oficial em Londres, o número 10 de Downing Street.

"Acredito que era correto perseverar, inclusive quando as possibilidades de fracassar pareciam elevadas, mas agora me parece claro que é do melhor interesse do país que um novo primeiro-ministro lidere este esforço", afirmou em um discurso para a imprensa, visivelmente emocionada.

"Foi a honra da minha vida ter sido a segunda mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra (após Margaret Thatcher)", acrescentou.Sua voz falhou quando ela terminou sua breve declaração proclamando o "amor" por seu país, tentando, sem sucesso, esconder a emoção que tomou conta dela quando se virou para voltar ao seu gabinete. May continuará no cargo para receber o presidente dos Estados Unidos, que realizará uma visita ao Reino Unido de 3 a 5 de junho.

O mandato de Theresa May, cheio de adversidades, críticas e até mesmo conspiração dentro de seu próprio partido, entrará para a História como um dos mais curtos na Grã-Bretanha desde a Segunda Guerra Mundial.

Ela "avaliou politicamente mal o humor do seu país e de seu partido", considerou no Twitter Nigel Farange, líder do Partido do Brexit.

A Comissão Europeia ressaltou, por sua vez, que a saída de May "não mudará nada" na posição dos 27 sobre o acordo de saída.Antes de assumir o cargo, seu sucessor terá que ser eleito para o cargo de líder do Partido Conservador. Ele será nomeado até 20 de julho, informou o partido. O ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, líder do 'Brexiters', está entre os favoritos para substituí-la. Theresa May assumiu o Executivo em julho de 2016, pouco depois de os britânicos votarem 52% a favor do Brexit no referendo de 23 de junho de 2016, sucedendo David Cameron. A ex-ministra do Interior não conseguiu convencer uma classe política profundamente dividida sobre a saída da UE. O acordo de divórcio, que ela negociou amargamente com Bruxelas, foi rejeitado três vezes pelos deputados, forçando o Executivo a adiar o Brexit até 31 de outubro, quando estava planejado para o dia 29 de março, e organizar eleições europeias.

Ao comentar a renúncia de May, a porta-voz do governo espanhol, Isabel Celaa, ressaltou que "um Brexit duro parece uma realizada quase impossível de evitar". Boris Johnson, por sua vez, pediu "união" para "implementar o Brexit".Theresa May, "incapaz de governar, teve razão em renunciar", considerou o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, antes de afirmar que seu sucessor deverá convocar novas eleições para tirar o país do impasse. O presidente francês, Emmanuel Macron, elogiou o "trabalho corajoso" de May e pediu "um esclarecimento rápido" sobre o Brexit. (AFP)

Respeito

A chanceler alemã Angela Merkel disse "respeitar" a decisão da primeira-ministra, mas se recusou a se pronunciar sobre as consequências ligadas ao Brexit.

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