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Estudante pernambucana é morta a tiros na Nicarágua

| VIOLÊNCIA | Raynéia Gabrielle Lima estudava Medicina em Manágua, capital do país que vive intensa onda de protestos contra o governo. Polícia nega responsabilidade

01:30 | 25/07/2018

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A estudante de Medicina Raynéia Gabrielle Lima, de 31 anos, foi morta a tiros na noite de segunda-feira, 23, em Manágua, capital da Nicarágua, país que passa uma onda de protestos que pedem a saída do presidente Daniel Ortega.

 

A pernambucana, de Vitória de Santo Antão, era aluna de La Universidad Americana (UAM). Segundo informações, Dra. Ray, como era conhecida, estava saindo do seu turno no hospital militar em que trabalhava quando foi baleada. “Quando ela foi atingida, o seu namorado saiu do carro gritando que não fazia parte de nenhum grupo político. Logo depois os atiradores fugiram”, contou Anderson Felipe, amigo da estudante. “Ela não participava de nenhum protesto”.


A Polícia negou responsabilidade e atribuiu a morte da brasileira a um segurança. “Um guarda de vigilância privada, em circunstâncias ainda não determinadas, efetuou disparos com arma de fogo, um dos quais atingiu (Raynéia)”, segundo um comunicado. O autor dos disparos “está sendo investigado para o esclarecimento do fato”.


Desde abril, a Nicarágua vive uma onda de protestos contra Daniel Ortega. Pelo menos 360 pessoas já foram mortas. O governo nega ter ligação com os grupos paramilitares que são acusados de serem responsáveis pela maioria dos assassinatos, apesar de eles usarem bandeiras do partido do presidente, a Frente Sandinista de Libertação Nacional.


Em nota, o Itamaraty lamentou o ocorrido e disse estar buscando os esclarecimentos do assassinato. “Ao repudiar a perseguição de manifestantes, estudantes e defensores dos direitos humanos, o governo brasileiro volta a instar o governo da Nicarágua a garantir o exercício dos direitos individuais e das liberdades públicas”. Por meio de comunicado, La Universidad Americana declarou profunda tristeza pela morte de Raynéia, que cursava o sexto ano.


Ela estava na Nicarágua desde 2013. “Muito alegre e batalhadora, se virava nos 30, fazia eventos, vendia brigadeiro, tudo para conseguir se manter (lá)”, disse uma amiga, Cintia Deffontaines.


A enfermeira aposentada Maria José Costa, mãe de Raynéia, contou que as duas se falaram pela última vez na manhã da segunda, 23. “Ela me disse que estava indo para o plantão, então eu disse para a gente deixar para conversar mais tarde, quando ela estivesse de volta em casa. Mas esse mais tarde não aconteceu”.


Raynéia costumava relatar para a mãe a situação no país. “Ela dizia sempre que estava com medo, que tinha um toque de recolher. Estava tudo planejado para ela voltar entre março e abril de 2019, pois já tinha terminado a faculdade e estava fazendo residência”.


Até o fim da tarde de ontem, Maria José ainda não havia recebido informações oficiais. “Não sei quando o corpo da minha filha vai poder vir para o Brasil para ter um enterro digno”.

Jornal do Commercio para a Rede Nordeste

 

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