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Desafios e novidades da nova gestão socialista que assume a Espanha

| GÊNERO | Forte presença feminina na equipe de Pedro Sánchez é a primeira grande mudança. É o governo com mais mulheres entre todos os países da União Européia

01:30 | 11/06/2018

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Um grande desafio. Assim foi vista a nomeação de Pedro Sánchez, do Partido Socialista dos Trabalhadores Espanhóis (PSOE), como primeiro-ministro da Espanha. Um novo momento da política de parlamentarismo do país, que começa de forma instável, pelo baixo número de deputados que o apoiam, e com duas novidades que podem marcar a gestão do chefe de governo: o juramento de posse que excluiu questões religiosas e a escolha de 11 mulheres para compor os 17 cargos de ministros.

[SAIBAMAIS] 

“O líder do PSOE, agora primeiro ministro, está participando da mudança política na Espanha. O fato de ter escolhido muitas mulheres não representa guinada para a direita ou esquerda, mas é uma afirmação de que a questão de gênero importa para o governo”, avaliou o professor de Ciência Política e Relações Internacionais do Ibmec, Oswaldo Dehon.

 

A oportunidade para que o novo premiê governasse foi dada após moção de censura (ferramenta dos sistemas parlamentaristas europeus que contesta o governo) contra o ex primeiro-ministro, Mariano Rajoy (PP-Partido Popular), ser aprovada por 180 votos a favor. Foram 169 votos contrários..

 

O professor do Ibmec explica que, para a construção de seu governo, Pedro Sanchez negociou com vários partidos, inclusive os nacionalistas. Atualmente, o primeiro-ministro tem garantia dos votos de 84 deputados socialistas, entre os 350 que ocupam cadeiras no parlamento. Um dos partidos que aguarda concretização de aliança é o Podemos, de esquerda radical, que possui 71 deputados, e foi decisivo para que a moção fosse aprovada. “O que derrubou Rajoy foi a oposição, que era liderada pelo socialista. Mas tem vários outros partidos”, frisa o especialista.


Oswaldo cita os partidos bascos, os da Catalunha e os de esquerda. “O Podemos é uma inovação na esquerda e imagina-se que terá mais proximidade no PSOE do que no PP.


Pedro Sanchez é economista, tem 46 anos e é conhecido como El guapo (bonito, em espanhol). Em seu discurso, Sánchez prometeu abrir “uma nova página na democracia da Espanha”.

 

 

A MENOR BASE DA HISTÓRIA


A base do governo tem apenas 84 deputados de um total de 350 na Câmara Baixa. Será o mais minoritário em 40 anos

 

POSSE

SEM OS SÍMBOLOS


A solenidade de posse de Pedro Sánchez foi marcada pela ausência de símbolos religiosos, sem a Bíblia e o crucifixo

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