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Mais de 40 mortos em suposto ataque químico na Síria

| TENSÃO INTERNACIONAL | Governo de Bashar al-Assad nega autoria da ação

01:30 | 09/04/2018

Um ataque com gás venenoso na noite do último sábado, 7, na cidade de Duma, próxima à capital da Síria, Damasco, deixou mais de 40 mortos, de acordo com a ONG Defesa Civil Síria. O acontecimento se deu em meio a uma nova ofensiva das forças do governo após o fim de uma trégua com o grupo rebelde Exército do Islã. O governo nega a autoria do ataque.


De acordo com paramédicos, pessoas foram encontradas dentro de suas casas e abrigos com espuma saindo pela boca. O porta-voz do Defesa Civil Síria, Siraj Mahmoud, disse que foram contabilizadas 42 mortes, mas a ONG não conseguiu continuar as buscas devido ao forte odor e às dificuldades de respiração.


Em comunicado conjunto, a Defesa Civil Síria e a Sociedade Médica Síria Americana disseram que mais de 500 pessoas, a maioria mulheres e crianças, foram levadas a centros médicos com dificuldade de respirar, espumando pela boca e olhos ardendo. Os pacientes teriam descrito um cheiro semelhante a cloro. Alguns tinham a pele azulada, em sinal de privação de oxigênio. Os sintomas seriam consistentes com exposição química.


Lideranças internacionais condenaram o ataque. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em sua conta no Twitter que o presidente russo, Vladimir Putin, a Rússia e o Irã são responsáveis por apoiar o regime de Bashar al-Assad. “Outro desastre humanitário por razão nenhuma”, escreveu. O conselheiro de segurança da Casa Branca, Thomas Bossert, disse que não descarta opções em resposta ao ataque.


A Turquia, que critica o regime de Bashar al-Assad, disse que o governo “ignorou mais uma vez” os acordos internacionais de banimento de armas químicas.


Aliada a Assad, a Rússia negou que as forças sírias tenham usado armas químicas no ataque.

 

O suposto uso de armas químicas foi denunciado pelo papa Francisco ontem. “Chegam notícias terríveis da Síria, de bombardeios com dezenas de vítimas. Notícias de tantas pessoas afetadas pelos efeitos de substâncias químicas que essas bombas continham”, disse o pontífice a milhares de fiéis na praça São Pedro.

 

O Conselho de Segurança da ONU vai se reunir hoje em encontro de emergência para discutir a suspeita de ataque químico. A reunião foi convocada por Estados Unidos, Reino Unido, França, Polônia, Holanda, Suécia, Kuwait, Peru e Costa do Marfim. 

 

(AFP)

GABRIELLE ZARANZA

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