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Papa Francisco critica violência a indígenas no Chile

Mapuches, da etnia mais importante do Chile, denunciam abusos e reclamam territórios

01:30 | 18/01/2018

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Depois de suportar uma longa vigília, ontem, milhares de peregrinos celebraram a visita do papa Francisco a Temuco, no Chile, confiantes de que sua mensagem de unidade ressoe em uma zona de tensão pela violência.

 

Antecedido por vários atentados a pequenos templos religiosos, Francisco presidiu uma missa em massa no campo de Maquehue, que dedicou às vítimas da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e criticou o uso da violência na luta para reivindicar os direitos indígenas.

 

Mas, entre os fiéis, seu chamado à unidade - reconhecendo as diferenças - foi o que tocou mais fundo. “Parece-me muito importante a reflexão que o papa fez hoje, sobretudo ter chamado à paz e ao diálogo, o que é muito importante”, disse Carla Vargas ao fim da missa que durou cerca de duas horas, quando o sol forte já dava lugar a uma noite fria no sul do Chile.

“É uma tremenda oportunidade de continuar conversando. O conflito mapuche é um conflito político, social, racial, não apenas policial, como trataram nos últimos anos no Chile”, acrescenta esta mulher, que viajou várias horas junto com sua família para poder ver Francisco.

Ao iniciar a homilia, o papa Francisco saudou os fiéis utilizando o mapudungun, idioma dos mapuche, a etnia mais importante do Chile, que denuncia a discriminação e os abusos, e reclama a restituição de territórios ancestrais que hoje estão em mãos privadas.


Os indígenas se fizeram visíveis no tablado da cerimônia, onde um grupo realizou uma rogativa ao uso de suas tradições ancestrais. Mas não foram muitos entre as cerca de 150 mil pessoas.

 

A mensagem do papa foi “muito potente. É um chamado que muitas vezes não se cumpre, mas esperamos em Deus que desta vez possamos tomar consciência, porque queremos viver em paz, tranquilos”, disse o líder indígena Carlos Pehuenche.

 

“Os mapuches não estão em conflito com ninguém. O que está em dívida é o Estado com os povos originários do Chile”, destacou a mapuche Isolde Reuque, vestida com as roupas típicas de sua cultura, como poucos nesta cerimônia.

AFP

 

 

REUNIÃO APÓS A MISSA
Após a missa, que acabou sem incidentes, Francisco se reuniu com um grupo do povo mapuche, vítimas da "violência rural"

 

GABRIELLE ZARANZA

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