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Sebastian Piñera é eleito novo presidente do Chile

Piñera disputava o pleito com o centro-esquerdista Alejandro Guillier, candidato indicado pelo atual governo de Michelle Bachelet

01:30 | 18/12/2017
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O ex-presidente Sebastián Piñera venceu as eleições presidenciais no Chile, após superar neste domingo, com 54,57% dos votos, o governista de centro-esquerda Alejandro Guillier, que reconheceu a “dura derrota”.


Piñera, que governou o Chile entre 2010 e 2014, teve uma vantagem maior do que o esperado sobre Guillier, que ficou com 45,43% dos votos.


As quase 43 mil mesas receptoras de voto trabalharam até as 19 horas, no horário de Brasília, em uma disputa apontada como uma das mais incertas da história do País.


No primeiro turno, Piñera teve 36% dos votos. Seu maior rival não foi Guillier, que teve 22% dos votos, mas a abstenção, que chegou a 46%. Para o segundo turno, a batalha foi tirar do sofá os chilenos que não votaram. Desde que o voto deixou de ser obrigatório no País, em 2012, o índice de abstenção só aumenta. No primeiro turno, foi recorde: dos 14 milhões de chilenos habilitados a votar, apenas 6,7 milhões compareceram às urnas.


Durante a campanha do segundo turno, Piñera teve o apoio de um ex-candidato ultraconservador (que obteve 7,9% dos votos), enquanto Guillier conseguiu o suporte de quase todos os outros candidatos de centro-esquerda que participaram do primeiro turno em novembro.


A eleição foi vista por muitos como um referendo sobre a gestão da presidente Michelle Bachelet, que está deixando o cargo e buscou reduzir a enorme diferença de renda entre ricos e pobres com uma série de reformas. Apesar disso, vários desacordos dentro do governo e uma economia quase estagnada escureceram seu legado.


Bachelet foi a primeira autoridade a votar, em um dia de luto marcado pela morte de cinco pessoas e o desaparecimento de 18 em um desmoronamento na região de Los Lagos, no Sul.


“Na democracia, temos que atuar fazendo ouvir nossa voz através do voto”, declarou a presidente em coletiva de imprensa, convocando os eleitores às urnas.


Após votar, Piñera se mostrou confiante. “Tenho a firme convicção que vamos vencer esta eleição e que tempos melhores (seu lema de campanha) virão a todos os lares chilenos”, declarou.


Embora os dois candidatos tivessem visões diferentes de um País que pediu, no primeiro turno, uma mudança na forma de fazer política e o aprofundamento das reformas empreendidas por Bachelet, nas últimas semanas seus programas se aproximaram em questões como a educação gratuita e a reforma previdenciária, sistema herdado da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).


Em um parlamento que em 19 de novembro ficou muito fragmentado e sem qualquer grupo com maioria absoluta, Piñera terá que formar alianças com outras forças para realizar qualquer reforma que pretenda.


Depois de alguns anos de desaceleração, o futuro inquilino do palácio presidencial vai encontrar uma economia em crescimento, principalmente em razão do aumento do preço do cobre, do qual o Chile é o principal produtor mundial. (com Agências)

ADRIANO NOGUEIRA

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