VERSÃO IMPRESSA

Operação leva 201 pessoas à prisão na Arábia Saudita

Fraude sob investigação é estimada em cerca de US$ 100 bilhões. Entre os presos, príncipes, ministros e até um homem de negócio bilionário

01:30 | 10/11/2017
[FOTO1]

A operação anticorrupção lançada pela Arábia Saudita na semana passada levou 201 pessoas à prisão e revelou uma fraude de até 100 bilhões de dólares ao longo de várias décadas, anunciaram as autoridades locais. Príncipes, ministros e um homem de negócios bilionário estão entre as personalidades detidas ou demitidas na semana passada, em uma ação decidida por uma comissão anticorrupção presidida pelo príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, de 32 anos.


Este expurgo ocorre em um tenso contexto regional, com Arábia Saudita e Irã enfrentados pela guerra no Iêmen e uma possível crise política no Líbano após a renúncia do primeiro-ministro Saad Hariri, anunciada em Riad. “Um total de 208 pessoas foram interrogadas até agora. Desses indivíduos, sete foram liberados sem acusações”, indicou o Ministério saudita da Informação em um comunicado.


As autoridades congelaram as contas bancárias dos acusados e anunciaram que qualquer atividade relacionada a temas de corrupção seria confiscada como propriedade do Estado. “A possível magnitude das práticas de corrupção é muito grande”, acrescentou o Ministério. “Segundo nossas investigações dos três últimos anos, calculamos que ao menos 100 bilhões de dólares foram desviados através de corrupção e malversação sistemáticas durante várias décadas”. Os detidos serão julgados em um tribunal, indicou o procurador-geral na segunda-feira.


Dúvidas

“Apesar dos meios de comunicação sauditas apresentarem essas medidas como uma campanha contra a corrupção, as detenções em massa sugerem que se trata mais de uma luta pelo poder”, avaliou fonte ligada à ONG Human Rights Watch (HRW).

 

O príncipe Mohamed, filho do rei Salman, é considerado o líder de fato da monarquia governante. Controla as principais instâncias de poder, desde a defesa até a economia, e parece disposto a acabar com qualquer oposição interna antes que seu pai, de 81 anos, entregue a ele formalmente o poder.


Com este movimento, que alguns analistas descrevem como atrevido e arriscado, o herdeiro ganhou um poder sem precedentes na história recente do país.


A operação anticorrupção coincide com o lançamento de um amplo plano de reformas, o “Visão 2030”, com o qual o príncipe Mohamed pretende modernizar o reino e diversificar sua economia, que depende em grande medida do petróleo, cujo preço despencou nos últimos tempos.

 

ADRIANO NOGUEIRA

TAGS