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Juíza espanhola decreta prisão de líderes separatistas da Catalunha

Presidente independentista, Carles Puigdemont, exigiu a libertação dos oito companheiros presos. Ele teve prisão decretada e está na Bélgica

01:30 | 03/11/2017
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A Justiça espanhola decretou ontem a prisão provisória de oito membros do governo catalão destituído, suspeitos de sedição e rebelião, e em breve pode pedir à Bélgica a prisão do presidente independentista Carles Puigdemont. A juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional, decidiu mandar para a prisão oito dos nove membros do Executivo suspenso, que se apresentaram para depor em Madri, entre eles o vice-presidente regional Oriol Junqueras. No entanto, outorgou liberdade provisória sob fiança para o nono, Santi Vila, que pediu demissão antes da proclamação da independência, em 27 de outubro, e que terá que pagar 50 mil euros para deixar a prisão.


Para justificar a prisão à espera do julgamento, a juíza alegou que existe risco de fuga, recordando a viagem para Bélgica de Puigdemont e de parte do seu governo, assim como de reincidência e destruição de provas. “Os acionados tiveram um papel ativo, impulsionando o processo soberanista minuciosamente desenhado e atravessando toda classe de barreiras que poderia desviá-los de sua última finalidade”, a declaração de independência, indica o auto da juíza.

[SAIBAMAIS]

O presidente separatista catalão Carles Puigdemont e quatro de seus ministros, todos destituídos, estavam na Bélgica e não foram a Madri depor por rebelião e sedição. A Procuradoria solicitou que se emita uma ordem europeia de prisão contra eles, sobre a qual a juíza Lamela ainda deve se pronunciar.


A Procuradoria da Audiência Nacional solicitou especificamente que as ordens de prisão se dirijam às autoridades da Bélgica, onde “se encontram ou pelo menos (onde) viajaram” os referidos, indicou o documento da Procuradoria ao qual a AFP teve acesso.


Preso na Bélgica, Puigdemont seria objeto de um processo de extradição que, dependendo da duração, poderia impedir seu retorno antes das eleições catalãs de 21 de dezembro. Embora elas tenham sido convocadas pelo governo de Mariano Rajoy, após assumir o controle da administração catalã, os principais partidos separatistas aceitaram participar.

 

ADRIANO NOGUEIRA

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