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Donald Trump, o primeiro ano de um presidente marcado pela polêmica

Magnata americano era eleito, um ano atrás, ao cargo mais poderoso do mundo.Balanço do período apresenta, segundo analistas, um dirigente que tem feito o que prometia em campanha, o que, não raro, é um problema

01:30 | 08/11/2017

“Pensei que seria mais fácil”, disse Donald Trump, sobre assumir o cargo para o qual foi eleito há exatamente um ano. Fácil ou não, o republicano celebra hoje o primeiro “Trumpiversário”, como chama a imprensa americana.

Eleito no dia 8 de novembro com 57% dos votos de delegados eleitorais, ainda que não tenha cumprido todas as promessas neste período, o magnata fez valer a expectativa de um mandato polêmico.

Sempre presente em declarações controversas nas redes sociais e desbocado em todas as ocasiões, Trump popularizou, antes mesmo da posse, o termo “fake news” – que em português significa algo como “falso jornalismo” – em seus ataques constantes à imprensa – eleita antagonista maior de seu mandato, conforme os estrategistas de Trump. Em discurso na Organização das Nações Unidas (ONU), espantou o mundo ao dizer que iria “destruir completamente a Coreia do Norte”, no auge do embate com o ditador Kim Jong-un.

Mas a “ameaça” Trump, durante a campanha, foi “muito maior” do que a realidade, segundo o cientista político Uribam Xavier. “No começo, meteu um medo bem maior. Foi muito mais contido”, avalia Uribam, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC).

De acordo com ele, Trump tem agenda “extremamente conservadora”, mas “fez mediações e, em alguns momentos, até retrocedeu no discurso”. E Uribam dá um crédito: “foi uma campanha transparente, e não está inventando o que não prometeu. É fiel. Ao contrário do que acontece no Brasil”

Para o professor, Trump ainda não conseguiu descolar de si a imagem de “presidente exótico”, sendo tratado como “piada” fora dos EUA. O analista político Filipe Martins, bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB), contudo, vê avanço no capital político de Trump.

Filipe afirma que “se deixa de fora o fato de Trump ter adotado uma política muito mais realista em termos dos interesses nacionais e internacionais”. “Ao contrário do que se pensava antes, há um diálogo mais constante (com outros países). Quando vemos viagens a Países bastante simbólicos geopoliticamente, aliados históricos sendo reforçados, vemos que em questões centrais o resto do mundo ianda olha para os EUA antes de tomar decisões”, avalia Filipe Martins.

 

DANIEL DUARTE