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Milhares de pessoas marcham pela unidade da Espanha

Ato aconteceu em Barcelona e reuniu população que rejeita a autonomia da Catalunha, proclamada por parlamentares catalães e rechaçada pelo presidente Mariano Rajoy. Brasil não reconheceu independência

01:30 | 30/10/2017
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Milhares de catalães contrários à declaração de independência na Catalunha foram às ruas ontem, 29, em Barcelona, revelando as divisões na região, cujo controle é disputado pelo governo espanhol e pelas forças separatistas. Sob o lema “Somos todos Catalunha!” e um mar de bandeiras espanholas e catalãs, uma multidão invadiu o Passeio de Gracia na capital catalã: 300 mil pessoas segundo a polícia local, 1 milhão de acordo com a delegação do governo espanhol e 1,1 milhão para os organizadores.


Entre a multidão, eram vistos cartazes onde se lia “Juntos”, “Não ao golpe” e “Catalunha, minha terra, Espanha, meu país”, mesclando o catalão e o castelhano. A cada vez que um helicóptero da polícia nacional sobrevoava os manifestantes, recebia aplausos, ao contrário das vaias recolhidas em manifestações e atos a favor da independência.

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Apoiada pelos principais partidos não separatistas, a manifestação foi organizada pela associação anti-independência Sociedade Civil Catalã (SCC), que já tinha organizado um ato depois do referendo inconstitucional sobre a secessão, em 1º de outubro. O conflito entre o governo separatista da Catalunha e o executivo central do presidente Mariano Rajoy alcançou seu ponto alto na sexta-feira: o movimento de independência proclamou uma República, enquanto Madri respondeu destituindo o governo regional e assumindo o controle de sua administração.


Considerada uma ofensa pelos separatistas, a intervenção de Madri é recebida com certo alívio por cerca de metade dos 7,5 milhões de habitantes desta região que, após anos eclipsados pelas mobilizações separatistas, aumentaram seus protestos. “Foi uma loucura que nos levou ao precipício”, diz Álex Ramos, vice-presidente da SCC, em referência à declaração de independência. “É um momento dramático na história da Espanha, um momento extremamente difícil e perigoso”, advertiu o ex-presidente do parlamento europeu, o catalão Josep Borrell, pedindo aos manifestantes “serenidade” para “seguir vivendo juntos”.


Independência


O Brasil não reconhece a declaração de independência da Catalunha.

O Ministério das Relações Exteriores anunciou que rejeita a declaração de independência da região. Em nota, o Itamaraty pede respeito à Constituição da Espanha e informa que o governo brasileiro acompanha com atenção os desdobramentos relativos à região. No comunicado, o governo brasileiro “reitera seu chamado ao diálogo com base no pleno respeito à legalidade constitucional e na preservação da unidade do Reino da Espanha”.

 

Saiba mais


Na última sexta-feira, 27, parlamentares catalães declararam a independência da região dissidente. Em resposta, no sábado, o presidente da Espanha, Mariano Rajoy, delegou à sua vice-presidente as funções e competências de chefe do Executivo da Catalunha no lugar do líder catalão Carles Puigdemont. A decisão segue determinação de decreto estipulado pelo Conselho de Ministros do país que votou pelo restabelecimento da legalidade constitucional na Catalunha pouco depois da declaração de independência. O governo espanhol decretou então a remoção de todo o gabinete de Puigdemont, e Rajoy decidiu dissolver o Parlamento regional e convocou eleições autônomas para 21 de dezembro.

ADRIANO NOGUEIRA

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