VERSÃO IMPRESSA

Macri e Cristina medem força em eleição legislativa na Argentina

Presidente se envolveu diretamente na campanha, que levará à renovação de metade da Câmara e um terço do Senado. Sua antecessora deve ganhar a disputa por cadeira de senadora pela província de Buenos Aires

01:30 | 21/10/2017
[FOTO1]

O presidente argentino, Mauricio Macri, enfrentará neste domingo o teste das legislativas de meio mandato, que devem reforçar a sua coalizão no Congresso e permitirão à ex-presidente Cristina Kirchner conseguir um assento no Senado.


A coalizão de centro-direita Cambiemos, no poder desde dezembro de 2015, não conta com maioria relativa (87 de 257 deputados, 15 de 72 no Senado), mas conseguiu governar mediante alianças pontuais.


Amanhã será renovada metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado na Argentina. “Estamos no início de um longo caminho”, declarou em um ato o presidente, muito ativo na campanha eleitoral, ao se referir às dolorosas reformas econômicas implementadas desde dezembro de 2015.


O crescimento econômico voltou a subir e poderia chegar a 3% em 2017, depois de uma recessão de mais de 2% em 2016. No mês de setembro o consumo iniciou uma recuperação, após um ano e meio de queda. “O panorama é bastante positivo. A economia foi reativada mais do que esperávamos”, disse à AFP Héctor Rubini, economista e pesquisador, professor da Universidad del Salvador.

[FOTO2]

As empresas estrangeiras estão na expectativa do resultado eleitoral para decidir sobre o futuro de seus investimentos na Argentina, segundo a Coface, companhia francesa de seguros para o Comércio Exterior.


O cientista político Fernando Ohanessian avaliou que “o governo não terminou de resolver a questão econômica, mas tudo indica que se sairá bem” na eleição. “Politicamente foi bem, foi hábil, soube fazer acordos com outras forças políticas para conseguir leis, sendo minoria no Congresso”, insistiu o analista. Ohanessian atribui o sucesso previsto do governo nas legislativas de domingo à “divisão do peronismo”.


Peronismo dividido

O movimento peronista, fundado em 1945 pelo ex-presidente Juan Perón, está atualmente dividido entre Cristina Kirchner, de centro-esquerda e uma corrente mais centrista, encarnada pelo deputado Sergio Massa. “Se depois da eleição, o cenário for um processo de união do peronismo, isso complicará para o governo. Se (o peronismo) não reunificar, o governo poderá pensar em uma estratégia para buscar um segundo mandato” em 2019, diz Ohanessian.

 

Na província de Buenos Aires o governo teme uma ampla vitória de Cristina Kirchner. Kirchner, entretanto, não conseguiu capitalizar i mal-estar dos argentinos, cujo poder de compra foi deteriorado por uma inflação que o governo não consegue controlar. Os preços aumentaram 40% em 2016 e 17% nos primeiros nove meses deste ano.


“Estamos a tempo de estabelecer um limite, não deixemos que essas políticas continuem avançando e endividando o país”, disse ela, de 64 anos, em um encontro de encerramento de campanha em um estádio de futebol.


Saiba mais


Processada em vários casos de corrupção, a ex-presidente Cristina Kirchner nega que sua candidatura ao Senado tenha como objetivo a imunidade parlamentar.

 

Kirchner tem a vaga de senadora garantida, mas as pesquisas lhe dão uma pequena vantagem sobre o pouco carismático ex-ministro da Educação de Macri, Esteban Bullrich.


A viúva de Néstor Kirchner, se presume, obterá um bom resultado com uma força política criada em junho, a Unidade Cidadã, com aproximadamente um terço dos votos, segundo as pesquisas, mas prevalece o desejo de mudança expresso na eleição presidencial vencida por Macri em 2015. Na Argentina, os foros parlamentares não impedem processo e julgamento do legislador, mas não permitem sua detenção.

 

ADRIANO NOGUEIRA

TAGS