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Ex-chefe da campanha de Trump é indiciado por conspiração

Paul Manafort, ex-chefe da campanha eleitoral de Donald Trump, indiciado por conspiração e lavagem de dinheiro, permanecerá em prisão domiciliar. Outros dois assessores - Rick Gates e George Papadopoulo - também foram indiciados

01:30 | 31/10/2017
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O ex-chefe de campanha de Donald Trump e outros dois assessores foram indiciados por conspiração contra os EUA no âmbito das investigações sobre a interferência da Rússia na corrida presidencial de 2016, que o presidente voltou a negar. O advogado Paul Manafort e seu sócio, Rick Gates, foram indiciados por 12 acusações não relacionadas diretamente com atividades do comitê eleitoral de Trump, mas com delitos cometidos enquanto Manafort dirigia a campanha presidencial.


Em uma audiência judicial, os dois apresentaram documentos em que declararam sua inocência, mas foram colocados em prisão domiciliar. Para isso, Manafort teve que pagar fiança de 10 milhões de dólares e Gates de cinco milhões. Pouco após a decisão da prisão, o advogado de Manafort, Kevin Downing, disse que o indiciamento do influente lobista era “ridículo”.

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Em paralelo, George Papadopoulos, assessor de política externa da campanha de Trump, admitiu ter mantido reuniões com funcionários russos que ofereciam informações “sujas” sobre a candidata democrata Hillary Clinton, e se declarou culpado de ter mentido a respeito aos agentes do FBI.


Esta acusação contra Papadopoulos é a mais forte evidência do possível conluio entre a campanha e a Rússia para favorecer a eleição de Trump. Estas são as primeiras acusações formais apresentadas pelo procurador especial Robert Mueller, que investiga as relações entre o comitê eleitoral de Trump e a Rússia para influenciar a eleição do ano passado.

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Lavagem de milhões

O caso se concentra nas movimentações financeiras de Manafort e Gates durante a última década, incluindo o período da campanha eleitoral, quando atuaram “como agentes não registrados da Ucrânia” nos EUA, segundo o documento de 31 páginas assinado por Mueller.

 

Para “esconder (...) dezenas de milhões de dólares” de pagamentos recebidos da Ucrânia, Manafort e Gates “lavaram dinheiro mediante um enorme número de corporações americanas e estrangeiras, associações e contas bancárias”. Por isso, Manafort foi indiciado por falso testemunho sobre seu papel como agente estrangeiro e por não apresentar as devidas declarações sobre contas bancárias no exterior e registros financeiros.


Manafort foi nomeado chefe de campanha de Trump em junho de 2016, mas acabou sendo afastado do cargo em agosto quando foram reveladas suas ligações com a Ucrânia. Manafort e Gates “canalizaram milhões de dólares” para contas abertas por eles mesmos, ou por seus “cúmplices” em Chipre, São Vicente e Granadinas e Seychelles, segundo Mueller.

 

ADRIANO NOGUEIRA

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