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Jornal

Britânico Kazuo Ishiguro vence o Prêmio Nobel de Literatura

Seu livro Os Vestígios do Dia (1989), adaptado para o cinema em 1993, venceu prestigioso Man Booker Prize inglês

06/10/2017 01:30:00

O britânico de origem japonesa Kazuo Ishiguro, uma mistura de Jane Austen e Kafka com uma pitada de Proust de acordo com a Academia Sueca, foi anunciado ontem como o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura por seus romances nos quais narra o mundo das ilusões e a memória.


O autor de obras como Os Vestígios do Dia, de 62 anos, afirmou que é uma "honra magnífica" seguir os passos dos maiores escritores da literatura mundial. Ishiguro "revelou em romances de grande força emocional o abismo sob nosso senso ilusório de conexão com o mundo", afirmou a secretária da Academia Sueca, Sara Danius.


O laureado contou que estava em seu escritório quando seu agente o telefonou para contar a novidade. "Achei que era uma brincadeira. Não acreditei por um bom momento", explicou durante coletiva de imprensa. Considerada uma "obra-prima" pela Academia, Os Vestígios do Dia (1989) - adaptado para o cinema em 1993 pelo diretor James Ivory e protagonizado por Anthony Hopkins e Emma Thompson -, venceu o prestigioso Man Booker Prize inglês. "Se combinarmos Jane Austen e Franz Kafka temos Kazuo Ishiguro, adicionando um pouco de Marcel Proust", resumiu Sara Danius.


Nascido em 1954 em Nagasaki - cidade devastada pela bomba atômica em 1945 -, Ishiguro viajou ao Reino Unido com a família quando tinha 5 anos e não retornou a seu país de origem até a idade adulta. Sua obra reflete a dupla cultura. Ele agora gostaria de colaborar com quadrinhos. "Estou discutindo para trabalhar em um romance gráfico, o que é excitante para mim porque é algo novo e isso me faz retornar à minha infância japonesa, quando lia mangás", afirmou. Combinando um lado zen com a fleuma britânica, Ishiguro é um autor discreto que sonhava em ser cantor de música pop, mas se tornou um dos grandes escritores de sua geração. Seus dois primeiros romances, Uma pálida visão dos montes (1982) e Um artista do mundo flutuante (1986) se passam em Nagasaki, poucos anos depois da Segunda Guerra Mundial.

 

Adriano Nogueira

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