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Três oficiais participaram de ataque à base militar na Venezuela

O ataque acrescentou mais tensão à explosiva crise venezuelana, agravada desde a realização da Assembleia Constituinte que, em seus primeiros passos, mostra uma radicalização do governo.Maduro promete "pena máxima"

08/08/2017 01:30:00
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Três oficiais venezuelanos, um deles na ativa, participaram do ataque ao forte de Paramacay, na cidade de Valencia, executado no domingo de madrugada por cerca de 20 homens, confirmou ontem o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López. O grupo foi comandado pelo ex-capitão Juan Carlos Caguaripano, no exílio após ser expulso em 2014 das Forças Armadas por rebelião e traição, e que conseguiu fugir, revelou o ministro.


Também participaram do ataque o tenente Oswaldo Gutiérrez, que estava foragido acusado de roubo de munições, e o tenente Jefferson García, que deu informação da base e era o responsável pelo armamento, segundo o general Padrino López.


Em combates que duraram mais de três horas no destacamento foram mortos dois agressores e oito pessoas, detidas - entre eles Gutiérrez e um homem ferido -, enquanto Caguaripano, García e os outros fugiram com armas. “Estes dois oficiais conseguiram fugir e foi deflagrada uma operação especial para sua busca e captura”, revelou López, afirmando que Gutiérrez “se encontra à disposição dos tribunais militares”.


Militares feridos

O ministro da Defesa também informou que três militares ficaram feridos no confronto, um dos quais está na UTI depois de levar um tiro na cabeça. De acordo com o ministro, “a grande maioria dos civis envolvidos que foram detidos tem antecedentes criminais”. “Esta gangue não atua por ideias nem princípios nacionalistas, são pagos de Miami por grupos de extrema direita ligados a fatores da oposição venezuelana, assim como a governos estrangeiros que mantêm uma atitude hostil e de ingerência contra o país”, assegurou.

 

Pouco antes do ataque, Caguaripano, acompanhado por um grupo de militares com fuzis, apareceu em um vídeo nas redes sociais em que se diz em rebelião contra a “tirania ilegítima de Nicolás Maduro”.


Da clandestinidade, o capitão Javier Nieto Quintero, que diz fazer parte do movimento de Caguaripano, disse que a operação foi um sucesso porque alcançaram o seu objetivo de subtrair “entre 98 e 102 armas, calibre 156 e AK-47”, disse. A invasão acrescentou mais tensão à explosiva crise venezuelana, com protestos opositores que exigem a saída de Maduro e somam 125 mortos em quatro meses.


Para a oposição e alguns analistas, o ataque evidencia um mal-estar nas classes médias da Forças Armadas, principal alicerce de Maduro. O ditador venezuelano prometeu que os combatentes que atacaram a base do Exército receberão a “pena máxima”. O ataque veio após a nova Assembleia Constituinte, instalada na sexta-feira, sinalizar em seus decretos iniciais que irá mirar os inimigos de Maduro.

 

Saiba mais


A Assembleia Nacional da Venezuela, liderada pela oposição, está se recusando a reconhecer qualquer decreto emitido pela nova Constituinte do país, em mais um capítulo da disputa de poder com Nicolás Maduro. Em votação, ontem, os legisladores optaram por unanimidade em favor da desautorização das decisões da Constituinte de substituir membros da procuradoria-geral e criar uma comissão da verdade com poder de processar e cobrar punições.


Maduro diz que comissão da verdade deve responsabilizar líderes da oposição pela onda atual de agitação política. A deputada de oposição Delsa Solórzano disse que o propósito da comissão da verdade é "perseguir os que pensam de forma diferente".

 

Adriano Nogueira

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