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Jornal

Oposição decide participar de eleições regionais na Venezuela

MUD explicou que decisão objetiva pressionar Maduro e o poder eleitoral para que cumpram com a palavra de realizar eleições em 10 de dezembro

10/08/2017 01:30:00
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A oposição venezuelana decidiu participar das eleições de governadores, em meio a acusações de fraude na Constituinte do presidente Nicolás Maduro, que motivaram novas sanções dos Estados Unidos. “Acordamos por consenso pré-inscrever candidatos para as eleições regionais”, assinalou ontem em um comunicado a coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD), que viu vários de seus dirigentes inabilitados a se candidatar.


A aliança explicou que a sua decisão tem a intenção de pressionar Maduro e o poder eleitoral para que cumpram com a palavra de realizar as eleições em 10 de dezembro. Se não o fizerem, “que paguem o preço”, assinalou o dirigente Andrés Velásquez.


O prazo para a inscrição na disputa por 23 executivos estaduais e assembleias regionais venceu nesta quarta-feira. O anúncio coincidiu com as sanções do Departamento do Tesouro americano, nesta quarta-feira, a Adán Chávez, irmão mais velho do falecido presidente Hugo Chávez e a outros sete políticos por sua relação com a polêmica Assembleia Constituinte, em vigor desde a sexta-feira com poderes absolutos e que enfrenta um amplo repúdio internacional.


A medida implica no congelamento dos bens que tenham nos EUA, e na proibição a cidadãos americanos de fazer negócios com eles.Washington já sancionou Maduro, 13 funcionários e ex-colaboradores do presidente, acusados de quebrar a democracia, corrupção e violação dos direitos humanos. A lista aumentou depois que 12 governos da América condenaram Maduro, na terça em Lima, por uma “ruptura” da democracia e desconheceram a Constituinte, também rechaçada pela União Europeia.


No sábado passado, o Mercosul suspendeu politicamente a Venezuela com o mesmo argumento. Diante da crescente pressão internacional, Maduro propôs uma cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) para “restituir o diálogo” regional e o “respeito à Venezuela”.


“Forma de luta”

Não foi uma decisão fácil para a MUD, que reúne cerca de 30 partidos com diferentes tendências políticas, e que se juntaram em 2008 para enfrentar eleitoralmente o chavismo, no poder desde 1999.

 

Vários de seus dirigentes foram inabilitados a concorrer a cargos públicos, incluindo Henrique Capriles, atual governador do estado de Miranda, ao qual parte de Caracas pertence. Além disso, dois prefeitos foram condenados pela Suprema Corte a 15 meses de prisão por não impedir o bloqueio de ruas nos quatro meses de manifestações opositoras, que deixam 125 mortos. “A eleição é uma forma de luta e não assumi-la é a melhor maneira de convalidar e fortalecer a ditadura”, justificou-se a MUD. (Agência Estado)

 

Adriano Nogueira

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