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Berço político de Putin é alvo de atentado que deixou 11 mortos

Explosão no metrô de São Petersburgo deixou ainda 50 feridos. Governo promete investigar e trabalha com hipótese de ação terrorista

01:30 | 04/04/2017
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A segunda maior cidade da Rússia, São Petersburgo, foi palco de atentado que deixou 11 mortos e cerca de 50 feridos. Com quase 5 milhões de habitantes, o reduto político do presidente Vladmir Putin, que estava lá no momento em que bomba explodiu no metrô, fica a 700 quilômetros da capital, Moscou.


O porta-voz do Comitê Antiterrorista Russo, Andrei Przhezdomsky, declarou que a explosão ocorreu em um vagão do metrô que circulava no trecho entre duas estações do centro da cidade. Nenhum grupo assumiu autoria do ataque até o fechamento desta edição. Mas o governo trabalha com hipótese de ação terrorista. A explosão aconteceu no metrô, pelo qual circulam em média dois milhões de pessoas por dia, às 14h40min (8h40min em Brasília), de acordo com a inteligência russa.


“Eu estava no metrô. Na estação do Instituto Tecnológico, o trem parou, mas as portas não se abriam. Pela janela, vi pessoas feridas e quatro corpos no chão”, explicou o aposentado Viacheslav Veselov, à AFP.


O papel do maquinista na tragédia recebeu destaque na mídia russa. “A explosão aconteceu entre duas estações, mas o condutor tomou a boa decisão de continuar a rota até a estação, o que permitiu proceder rapidamente à retirada e socorro das vítimas”, declarou, em um comunicado, uma representante do Comitê de Investigação, Svetlana Petrenko.

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Segundo informações do correspondente da Globonews, Sandro Fernandes, o homem barbado que apareceu como suposto suspeito em foto divulgada na imprensa prestou esclarecimentos às autoridades voluntariamente. Ele foi considerado inocente e liberado.


Entre os possíveis autores do ataque, estão militantes islâmicos que desejam autonomia da região do Cáucaso, ao sudoeste da Rússia. Guerrilhas da Chechênia e Daguestão criticam a presença russa na localidade, de maioria muçulmana. É possível ainda que o grupo terrorista Daesh, mais conhecido como Estado Islâmico, esteja provocando retaliação pela intervenção russa no Oriente Médio, sobretudo na Síria. Putin é aliado do presidente sírio, Bashar Al-Assad, a quem o EI faz oposição.


Reação do governo

O presidente Vladimir Putin, que se encontrava em São Petersburgo para participar de um encontro com jornalistas russos, foi informado da situação e fez uma breve declaração à TV estatal.

 

“Sempre estudamos todas as possibilidades: acidental, criminal e, principalmente, um ato de caráter terrorista”, afirmou, depois de oferecer suas condolências às famílias das vítimas.


Os serviços de segurança russos anunciaram em várias ocasiões ter desmantelado células extremistas que tinham a intenção de atacar a capital, Moscou, ou a cidade de São Petersburgo, a segunda mais importante do país.


Após a explosão de ontem todas as estações de metrô da cidade e parte do tráfego foram fechados, permitindo apenas a circulação de ambulâncias que se dirigiram à toda velocidade para o local da explosão. (com agências)

 

ISABEL FILGUEIRAS

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