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Encontro no Brasil debate ação de esquema em 11 países

Durante dois dias, procuradores-gerais trocarão ideias sobre investigação de escândalo detonado pela Lava Jato

01:30 | 17/02/2017

Procuradores-gerais de onze países começaram ontem a trocar informações em Brasília sobre o escândalo de corrupção da Odebrecht, que revelou um submundo de financiamento ilegal da política em países de três continentes. A escala dos subornos a funcionários públicos em troca de obras e de medidas parlamentares orquestradas pelo grupo levou muitos governos a solicitarem informação ao Ministério Público brasileiro, que os convocou para a inusitada cúpula de dois dias.


Dos 14 países convidados, faltaram Moçambique, Antígua e Barbuda, El Salvador e Guatemala, informou o MP no início da reunião. Grande parte da investigação sobre o esquema da Odebrecht ainda corre sob sigilo. “Haverá muitas reuniões bilaterais de procuradores”, disse fonte ligada à organização, que pediu para não ser identificada.


Além do Brasil, participam do encontro representantes da Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Portugal, Peru, República Dominicana e Venezuela.


Efeito político

O escândalo da Odebrecht ofuscou, nos últimos dias, encontro de cúpula entre os presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, e do Equador, Rafael Correa. Os dois foram indagados por jornalistas sobre os supostos casos de corrupção e financiamentos ilegais de campanha. Correa, que deixará o cargo em breve, é suspeito de manter uma lista de funcionários que teriam recebido dinheiro da construtora ou encoberto casos de corrupção. Os crimes teriam ocorrido entre 2007 e 2016, período durante o qual a empreiteira teria pago cerca de US$ 33,5 milhões às autoridades equatorianas, justamente durante o mandato de Correa.


Já Santos, que venceu o Prêmio Nobel da Paz em 2016, por conta do histórico acordo com as FarcC, lamentou o “dano” que o escândalo provocou em sua imagem e ao país, em meio às acusações de que a construtora brasileira poderia ter dado até US$ 1 milhão para sua campanha presidencial em 2014. “Este tipo de situação deve ser esclarecida no menor tempo possível”, disse.

ADRIANO NOGUEIRA

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