PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Maduro assume novo mandato com apoio de militares

Posse. Reação popular

01:30 | 11/01/2019
Herdeiro político do líder socialista Hugo Chávez (1999-2013), o ex-motorista de ônibus e ex-sindicalista governa com pulso firme, após tirar seus adversários do jogo, com o controle institucional e com o apoio dos militares, aos quais deu enorme poder econômico.

 

Setores do oeste da capital amanheceram com uma presença incomum de militares, que também mantinham uma forte mobilização no centro. Alguns estabelecimentos de ensino suspenderam as aulas hoje.

 

Em paralelo à mobilização da base eleitoral, desesperança e resignação são visíveis em muitos venezuelanos, asfixiados pela pior crise já sofrida pelo país na história moderna.

 

"Isso vai prolongar ainda mais a agonia que vivemos nos últimos anos. Tudo decaiu gravemente. Os bens e serviços básicos estão a cada dia mais impossíveis. Nos sentimos de mãos atadas", disse a enfermeira Mabel Castillo, de 38 anos.

 

Durante o governo Maduro, a economia se reduziu pela metade e deve se contrair 5% em 2019, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Além disso, o país e sua estatal do petróleo, a PDVSA, caíram em default, e a produção dessa commodity, fonte de 96% da receita nacional, caiu para 1,4 milhão de barris diários. É o nível mais baixo em 30 anos.

 

Em meio a esse cenário, o presidente promete, porém, bem-estar. "Eu me comprometo a realizar as mudanças que são necessárias na Venezuela para (...) a prosperidade econômica", declarou ontem.

 

Sua reeleição provocou uma sequência de sanções de Estados Unidos e UE contra o círculo de poder mais próximo de Maduro. Nesse sentido, os analistas preveem uma maior pressão internacional, sobretudo, regional, com a onda conservadora em governos da América Latina.

 

Os analistas não veem mudanças no horizonte, com uma oposição fraturada e diminuída e uma população frustrada que opta por deixar o país.

 

"Embora o início do novo mandato aprofunde ligeiramente o isolamento, é pouco provável que altere significativamente a dinâmica da política interna", afirmou a consultoria Eurasia Group. 

 

(AFP)