VERSÃO IMPRESSA

Empresa vende produtos sem embalagem

| SUSTENTABILIDADE | A Lush voltou ao Brasil em 2014, onde agora conta com perfil de consumidor que se mostra mais preocupado com o meio ambiente

01:30 | 04/05/2018
[FOTO1] 

É de praxe que as marcas, sobretudo de cosméticos, invistam em embalagens cada vez mais bonitas e conceituais. Na contramão desse movimento que prioriza o design, do vidro de perfume às caixas de papel, a marca londrina Lush busca a venda de produtos “pelados”, aqueles que vêm sem embalagem. O objetivo é ser mais sustentável, consciente e tornar os produtos mais acessíveis, sem o custo de marketing atrelado a garrafas e caixinhas.


O resultado desse investimento são criações de artigos incomuns como shampoos, condicionadores e desodorantes em barra, bombas de sais de banho e pasta de dentes em pastilha. Esses itens sem embalagens já representam mais de 40% do catálogo da Lush. Os custos também foram reduzidos. As fórmulas sólidas exigem menos gasto de água para serem efetuadas.


“É muito comum vermos banheiros abarrotados de produtos nunca usados e que só foram comprados porque a embalagem era tentadora. Além disso, um tempo atrás, um programa de TV pediu que apresentássemos o custo de um gel de banho comum. Ao fazer isso, constatamos que a fabricação do recipiente custava mais do que o dobro do gel em si”, justifica Mark Constantine, co-fundador da Lush.


Ser social e ecologicamente correto tem se mostrado rentável para a empresa que, em menos de 25 anos de fundação, já atua em 51 países. A marca investe ainda em ações de cunho social e se orgulha de vender produtos feitos à mão, com ingredientes frescos, e comprados de uma cadeia produtiva justa, sem exploração de mão de obra.


A Lush já havia operado no Brasil de 1997 a 2007, quando fechou as portas. Em 2014, a empresa voltou com força total e encontrou um consumidor mais engajado e preocupado com questões ambientais. Hoje, a marca conta com cinco lojas em São Paulo e um site de e-commerce que faz entregas para todo o Brasil.


“Cada vez mais o consumidor brasileiro busca por produtos que não prejudiquem o meio ambiente e os animais. Que tenham uma cadeia produtiva ética para as pessoas que fornecem as matérias-primas e demais envolvidos no processo. O consumidor de cosméticos procura marcas que promovam um consumo mais consciente. Notamos um aumento grande por produtos veganos, livres de testes em animais e com alta concentração de ingredientes naturais”, afirma Letícia Sanchez, gerente de comunicação para América Latina da Lush.

 

 

ISABEL FILGUEIRAS

CORRESPONDENTE EM SÃO PAULO

isabelfilgueiras@opovo.com.br

 

GABRIELLE ZARANZA

TAGS