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Jaz teu corpo

01:30 | 13/09/2017
Jinnye Melo

fleur-pm@hotmail.com

Qual beleza cruel a reverberar sinuosamente suas linhas raras,

como cântico adagioso do muito além, não seria capaz de atravessar também teu sossegado apego à realidade?

 

E se realidade não fosse um nome, quão vis seriam as ondas de beleza tal? Doces arabescos tatuam-se correntes no mais profundo da tua pele, onde nem tua alma ousou definir-se.

Jaz teu corpo, aprisionado nas nuances sensuais dessas cores abismáticas. Jaz teu corpo, aromatizado pingo por pingo das flores vermelhas que logo, caleidoscópios.

Jaz teu corpo, e não tem onde pise que não caia no intangível.

E as risadas, todas, apontam pra ti como a chamar-te.

E chamam, chamam teu nome, que entre risos e gargalhadas:

Já não é nome. Jaz teu corpo.

E não há onde pise,

tu pisas na pigmentação traiçoeira e movediça que se desfaz, mas sem te engolir. És suspenso. Jaz teu corpo, suspenso sem alçar voo.

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