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Jornal

A arte de ser pedreiro

23/08/2017 01:30:00
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Francisco Emanuel Lima

emanuels.l@hotmail.com

 

Por esses dias, estive envolvido em uma construção e, senti-me motivado a expressar meu reconhecimento à profissão de pedreiro. Intrigado, pensei: Na equivalência das artes, um quadro está para o artista plástico assim como um filme está para o cineasta; na equivalência das profissões, por que uma casa erguida sobre um chão vazio não tem a mesma importância que um vídeo postado no Youtube? Tratamos pedreiros como mais um, enquanto outros são considerados artistas. Eis a época em que o mundo virtual é mais firme que estruturas de concreto e aço. E se você não reconhece o valor desse profissional, que ganha a vida erguendo castelos que dificilmente adquirem para si, deixa eu explicar: eles fazem, a partir do nada, um teto para você transar debaixo, um chão para você dar os primeiros passos, paredes para você pendurar seus diplomas... garagens, banheiros... Mas nunca assinam suas obras. Por que?


Falei que senti-me motivado a expressar meu reconhecimento à profissão de pedreiro, como se meu reconhecimento valesse alguma coisa nessa terra de gigantes... Que pagam salários mínimos a quem tem habilidade de construir mansões. E se meu valor está na escrita, hoje dedico tudo que tenho a essa profissão.


Obrigado à todos os pedreiros do Brasil! E não se considerem menores que médicos pelo fato dos salários serem absurdamente distintos, por exemplo. Até porque nem todo mundo deseja um médico, mas, todos desejam um lar. Enquanto um pedreiro escreve com tijolos, suas paredes... Escrevo com palavras meus textos. A diferença é que pedreiros têm mãos mais grossas, o que considero vantagem incluir no DNA dessas crianças que estão por vir. Porque só tablets é retrocesso físico. Ao meu primo Zé Almir, esse representante exemplar dessa classe inteiramente digna.

Adriano Nogueira

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