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A importância do check-up na rede elétrica

01:30 | 04/03/2017
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Por estar, em geral, embutida, a fiação elétrica muitas vezes acaba sendo deixada em segundo plano quando o assunto é a aquisição ou mesmo manutenção de um imóvel. Porém, este é um erro que pode custar caro. Instalações elétricas desgastadas ou inadequadas, além de elevar a conta de energia, podem provocar acidentes maiores como choques, curto-circuito e até mesmo incêndios.

[SAIBAMAIS]

“Muitos dos acidentes que ocorrem no dia a dia de uso das edificações estão relacionados à parte elétrica e são problemas que poderiam ter sido evitados. É importante que os usuários façam a mesma coisa que já fazem quando compram um veículo, ou seja, pedir para um especialista ir com ele para fazer a inspeção”, afirmou o engenheiro eletricista Carlos Gustavo Castelo Branco.


Ele reforça que é fundamental que o projeto elétrico do imóvel obedeça às normas de segurança estabelecidas pela NBR-5410, da ABNT. E que também se faça manutenção periódica em todos os pontos. Principalmente quando se trata de imóveis antigos, já que além da fiação sofrer a deterioração do tempo, nas últimas décadas, a variedade e o consumo de produtos eletrônicos aumentou muito e pode ser que a rede não tenha capacidade de atender à demanda.

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Alguns indícios também ajudam a alertar que algo não está correndo bem. O engenheiro civil especialista em engenharia diagnóstica e patologia das edificações, Lawton Parente, explica que se a conta de energia apresentar uma elevação significativa, sem uma motivação aparente; se os interruptores e tomadas começarem a aquecer; as lâmpadas deixarem repentinamente de funcionar e depois voltar; ou se disjuntores desarmarem eventualmente é hora de chamar um especialista.


“Se os disjuntores estão sempre disparando, pode ser que esteja com uma corrente excessiva, uma sobrecarga. Significa que está agindo de forma a oferecer segurança, alguma coisa na corrente aconteceu e ele baixa imediatamente”. Ele orienta que também não se pode deixar fios espalhados pelo imóvel. O ideal é que fiquem sempre em componentes específicos como eletrodutos e canaletas.


O aperfeiçoamento dos produtos também contribui para melhora da segurança. A tomada de três pinos é um exemplo disso. Antes, as tomadas permitiam que qualquer aparelho, independente da potência, pudesse ser conectado, explica Castelo Branco. Hoje, existem dois formatos de tomadas de três pinos: um para aparelhos com potência elétrica que resulte em uma corrente de até dez ampères, indicada para equipamentos mais comuns como televisão e computador, por exemplo; e outra para equipamentos com potência acima disso, como o ar condicionado. “O que pressupõe que a instalação foi preparada para uma potência maior. Se você tentar encaixar na outra, não vai conseguir. E o próprio formato da tomada favorece a segurança no contato direto, porque as tomadas anteriores não tinha proteção. Por isso, se o imóvel ainda tem este tipo de tomada, é recomendável substitui-la”.


SAIBA MAIS


SETE ERROS QUE AMEAÇAM

A SUA SEGURANÇA


1 - Não contratar profissionais habilitados. Improvisar a mão-de-obra tanto na elaboração do projeto elétrico, como na execução do serviço podem resultar em instalações mal feitas e que não seguem as normas de segurança em vigor.

 

2. Sobrecarga de equipamentos em um único ponto. O uso inadequado de Ts e extensões pode provocar o aquecimento do circuito elétrico, o consumo elevado de energia e sobrecargas. Além disso, equipamentos de alta potência como ar condicionado, torneira elétrica, forno elétrico e geladeira precisam de uma tomada de uso específico.


4. Fios e cabos elétricos soltos. Materiais desencapados ou instalados incorretamente aumentam os riscos de curtos-circuitos, incêndios e choques elétricos.

 

5. Usar fios e cabos “desbitolados”, ou seja, com baixa qualidade e menor quantidade de cobre que o exigido pela ABNT. Além de irregular, este material não conduz a corrente elétrica necessária para o circuito em que foi instalado. Pode comprometer a isolação, provocar sobreaquecimento, perdas de energia e também aumento na conta de luz.

 

6. Uso de disjuntores não compatíveis com fios e cabos elétricos. Se for colocado um disjuntor muito acima da capacidade dos condutores não haverá a correta proteção dos cabos em condições de sobrecarga ou curto-circuito, comprometendo a instalação.

 

7. Falta de manutenção preventiva. O ideal é fazer a primeira revisão da parte elétrica do imóvel, dez anos após o término de sua instalação. E, se fizer alguma reforma, cabe fazer revisão a cada cinco anos.

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