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Caminhões retiram areia das dunas sobre rodovia

05:00 | 28/02/2019
Para ambientalistas, retirada da areia interfere a dinâmica natural do ecossistema
Para ambientalistas, retirada da areia interfere a dinâmica natural do ecossistema

Um trator e caminhões estão retirando parte da areia acumulada que está obstruindo uma das vias na rodovia CE-010, no bairro Sabiaguaba, em Fortaleza. A intervenção na unidade de conservação, que conta com 460 hectares, é realizada pelo Departamento de Estradas e Rodovia do Ceará (DER), com autorização da Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace).

Segundo a Seuma, o material recolhido é levado para recolocação em dunas que sofreram algum tipo de deterioração.

A medida que tenta conter o avanço das dunas sobre a rodovia, no entanto, é polêmica. Ambientalistas argumentam a duna móvel tem como característica o movimento da areia. E a retirada do material interrompe a dinâmica natural.

O POVO esteve na tarde desta quarta no local e tentou conversar com os trabalhadores, que informaram não ter autorização para falar. Uma equipe do DER também estava presente e fazia a sinalização da estrada.

A tentativa de conter o avanço das areias sobre a rodovia já rendeu outras controvérsias. Em setembro de 2017, o DER cobriu uma área de 5,85 hectares de dunas com palhas de coqueiro. O Conselho Gestor das Unidades de Conservação da Sabiaguaba (CGS) denunciou que a ação degradava o ecossistema e a reserva aquífera da duna.

"Interfere na dinâmica do aquífero, porque altera a morfologia do campo de dunas. Se altera a morfologia, o aquífero acompanha as formas do campo de dunas eternamente. A água não fica plana dentro desse grande corpo de areia, e isso vai fazer com que ocorram fluxo diferenciados que muitas vezes alteram as relações com os outros sistemas ambientais que têm um vínculo direto com o lençol freático", explicou, à época, o professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e membro do CGS, Jeovah Meireles.

O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acabou por embargar a intervenção, determinou a retirada das palhas e multou o DER em R$ 20 mil.(Jullie Vieira / Especial para O POVO)

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