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Brumadinho: mais um caso de obscuridade da Vale

A pilha de crimes da Vale é mais extensa que Mariana e Brumadinho, ambas em Minas Gerais. A responsabilidade da mineradora vai muito além do caos generalizado que vemos hoje. Cheia de casos na Justiça do Trabalho e outras denúncias de crimes ambientais, ela continua a reinar na extração mineral brasileira.

É inegável que o Brasil, enquanto governo, tenha avançado em transparência. Não se pode dizer o mesmo para empresas privadas que operam no País, sobretudo as que recebem bilhões em incentivos do BNDES, como é o caso da Vale.

Somente depois dessas mais de 120 mortes confirmadas, ela revela que há pelo menos outras 19 barragens como a de Brumadinho. O Greenpeace recolhe assinatura para que todas as 167 barragens de contenção de rejeitos de mineração tenham operação suspensa.

Em Ourilândia do Norte, no Pará, a Vale já foi condenada indenizar povos indígenas Xikrin e Kayapó em R$ 100 milhões por contaminação no ambiente e por jogar metais pesados no rio Cateté. Nenhum centavo foi pago. A empresa ainda pode e já anunciou que vai recorrer. As vítimas desse crime ainda irão padecer, aos poucos, doentes. Sem o alarde de Brumadinho.

Em ações trabalhistas, a Vale também foi condenada a pegar R$ 800 mil por criar uma lista contra trabalhadores que já a haviam processado. O mais triste é que não importa quantas vidas se percam no caminho dessa lama, parece que a Justiça nunca se aplica a essa entidade chamada Vale.

Isabel Filgueiras

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