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Bolsonaro, o Supremo e o teste de realidade

25/06/2019 12:50:10

Aos poucos, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) vai se deparando com certos limites e entendendo que o voluntarismo é discurso bom para vencer eleição, mas não para governar. Nesta semana, o Congresso fez lembrar ao pesselista que a negociação é chave-mestra no Legislativo. Sem ela, presidentes caem. O primeiro lembrete: o aumento de 16% (imoral) para os ministros do Supremo. Haja corte de outros gastos ou não, foi recado expresso ao novo mandatário da nação, que agora terá de lidar com orçamento ainda mais comprometido. O segundo foi entrevista recente cheia de torpedos disparados por Eunício Oliveira (MDB) ao futuro superministro da Economia, Paulo Guedes. Nela, não é preciso ir às entrelinhas para entender que o militar não terá vida fácil, tampouco seus auxiliares. Dias antes, o próprio STF cuidava em transmitir a Bolsonaro uma lição ao suspender ações de censura nas universidades. E, para encerrar, Maria Inês Fini, a presidente do Inep, entidade que elabora o Enem, disse que o "governo não manda" na prova. No conjunto, incluído aí o presente de Eunício aos ministros, trata-se de resposta institucional à afoiteza da equipe do novo chefe, que, inexperiente, supõe que poderá atravessar os próximos quatro anos como foi o segundo turno: sem qualquer debate.

Henrique Araújo

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