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Ex-governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) é preso

| Suspeita de corrupção |

01:30 | 11/10/2018
PERILLO exerceu quatro mandatos como governador de Goiás, entre 1999 e 2018 ANDRE DUSEK/AE
PERILLO exerceu quatro mandatos como governador de Goiás, entre 1999 e 2018 ANDRE DUSEK/AE

O ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) foi preso ontem ao chegar à superintendência da Polícia Federal, em Goiânia (GO), para prestar depoimento na Operação Cash Delivery, que investiga o repasse de R$ 10,3 milhões da empreiteira Odebrecht para o tucano.

 

Perillo, que foi derrotado na disputa por vaga ao Senado no último domingo, havia sido alvo de busca e apreensão no dia 28 de setembro. Na ocasião, Jayme Rincón, ex-tesoureiro do tucano, foi preso pela PF acusado de ser um dos intermediários dos repasses da empreiteira.

 

Por meio de nota, o Ministério Público Federal (MPF) informou que o ex-governador não havia sido alvo de mandado de prisão porque era candidato ao Senado e a lei eleitoral proíbe detenção na semana anterior ao pleito. O prazo dessa proibição terminou na terça-feira, 9.

 

Ao decretar a prisão preventiva de Perillo, o juiz Rafael Ângelo Slomp, da 11.ª Vara Federal Criminal, em Goiânia, afirmou que a medida é necessária para prevenir o envolvimento do tucano em outros atos de recebimento de valores e de eventual saldo de propina.

 

As acusações contra Perillo foram feitas pelos delatores da Odebrecht Fernando Reis e Alexandre Barradas. Aos investigadores, eles citaram repasses de R$ 10 milhões ao ex-governador R$ 2 milhões na eleição de 2010 e R$ 8 milhões em 2014.

 

"Observada a quantidade de propina descrita na representação policial, associada à apreensão ocorrida na fase ostensiva da operação (mais de R$ 1 milhão), somada à extensão temporal em que se desenvolveram as práticas delitivas, torna imprescindível a decretação da custódia cautelar com amparo na garantia da ordem pública", diz trecho da decisão de Slomp.

 

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, que defende o tucano, afirmou que "não há absolutamente nenhum fato novo que justifique o decreto da prisão do ex-governador". Após a prisão, Kakay informou que Perillo prestou depoimento e respondeu a todas as perguntas da PF. A defesa vai recorrer ao Tribunal Regional Federal.

 

Segundo o Ministério Público, os valores seriam usados "para comprar apoio político de 66 candidatos aliados na forma de financiamento fraudulento, dissimulado como oficial".

 

As investigações apontam que Perillo era identificado em planilhas da Odebrecht por "Master", "Padeiro", "Calado" e "Patati". 

 

(Agência Estado)