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Cenário. Michel Temer, o mau aluno

2018-01-19 01:30:00
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Duplamente acusado em 2017, Michel Temer (MDB) saiu-se com evasivas ao disparate enviado pela PF com 50 perguntas ao presidente no inquérito que apura malfeitos no Porto de Santos. A intenção do questionário era apurar se o emedebista havia atuado para beneficiar a empresa Rodrimar ao editar norma que estendia concessões. Em troca, o então PMDB receberia doações para campanhas eleitorais — suspeita que o honorífico chefe do Executivo tratou de negar. Como um aluno que não houvesse estudado e fosse apanhado por uma prova surpresa, o presidente se limitou a responder “não sei” à metade das questões e “não conheço” à outra metade. Mas foi além. Garantiu desconhecer os personagens mencionados na cartinha da força-tarefa e, acusando um fastio típico, chateou-se com a insistência dos policiais num ponto: afinal, Temer tinha usado o amigo José Yunes como intermediário para negócios ilícitos (claro que a pergunta não era tão direta assim)? Invocando sua “honorabilidade e dignidade pessoal”, o presidente, a quem o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot já disse que Rocha Loures servia como longa manus, escapou de novo pela tangente: jamais tinha autorizado que o “cara da mala” fizesse nada em seu nome. Enredo até possível, não fossem os áudios da JBS nos porões do Jaburu, quando o novo inquilino do Planalto se deixou gravar indicando Loures como o seu negociador direto. 

 

HENRIQUE ARAÚJO henriquearaujo@opovo.com.br  

 

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