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A ciência que está envolvida no futebol

| FUTEBOL | Tipo de bola, cor da camisa, criatividade dos jogadores: a ciência, baseando-se, entre outros, na aerodinâmica e nas ciências cognitivas, também está presente no futebol e na Copa 2018

01:30 | 12/06/2018
A TECNOLOGIA DA NOVA BOLA

Concebida pela Adidas, a bola oficial da Copa do Mundo de 2018, a Telstar 18, é criticada por goleiros que temem desvios de trajetória.


Mas estudos científicos sugerem o contrário.


Testada com robôs, ela “mostrou uma trajetória bastante estável”, comparada às bolas das duas Copas do Mundo anteriores, Brazuca (2014) e Jabulani (2010), garante Sungchan Hong, do Instituto de Ciências da Saúde e Esportes de Tsukuba (Japão).


“A Jabulani não era uma boa bola”, aponta Eric Goff, professor de física da Universidade de Lynchburg, na Virgínia (EUA). “Brazuca e Telstar 18 são muito melhores”, acrescenta o pesquisador que estudou o comportamento da nova bola submetida a túneis de vento.


Ele explica que a diferença entre as duas bolas será vista nos chutes (ou passes) longos, a 90 km/h ou mais: a Telstar 18 será enviada um pouco menos longe (cerca de 8% a 10%) do que a Brazuca.


UNIFORME VERMELHO, UMA VANTAGEM?


Há vários anos, os cientistas se perguntaram se a cor das camisas afetaria o resultado do jogo. Num plano "teórico", alguns supõem que o vermelho afeta o desempenho, segundo Ian Greenlees, professor de psicologia do esporte na Chichester University.


No momento, a ciência não permite afirmar com certeza. Uma pesquisa de 2008 sobre o futebol, liderada pela equipe de Ian Greenlees, mostrou que os goleiros percebiam os batedores de pênaltis de camisa vermelha como "mais concentrados, mais dominantes e experientes" do que aqueles de branco. E que esses goleiros tinham menos confiança em sua capacidade de parar o chute de um jogador vestido de vermelho.


Em outro estudo, Greenlees mostrou que os batedores de pênaltis têm menos sucesso quando enfrentam um goleiro vestido de vermelho do que quando ele usa outras cores.


Outro estudo conduzido por uma equipe holandesa em 2015 destacou o fato de que o branco era a cor mais visível em um campo, o que pode aumentar o número de passes bem sucedidos. (AFP)


CRIATIVIDADE INDISPENSÁVEL


Capaz de virar um jogo, a criatividade dos jogadores de alto nível, como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar, intriga os cientistas.


Um estudo publicado em 2018 no Journal des Sciences du Sport analisou o nível de criatividade dos gols marcados nas Copas do Mundo de 2010 e 2014 e na Eurocopa de 2016, para ver o quanto poderia contribuir para a vitória.


Os pesquisadores da Universidade de Colônia (Alemanha) estudaram 331 gols. "Mostramos que as equipes vencedoras usam mais ações criativas para marcar gols", escreveram os pesquisadores Matthias Kempe e Daniel Memmert.


Estes resultados mostram que "a criatividade é um fator decisivo para a vitória no futebol", destacam.


Eles aconselham os treinadores a planejar programas táticos de treinamento em criatividade.

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