VERSÃO IMPRESSA

Pint of Science Festival leva a ciência ao botequim

| PINT OF SCIENCE | Três bares de Fortaleza recebem cientistas para tratar de questões contemporâneas. Evento acontece em 66 cidades do Brasil e em 21 países

01:30 | 11/05/2018

[FOTO1] 

Próxima segunda-feira é dia de ir ao bar. Terça e quarta, também. O Pint of Science Festival dá o assunto para o começo da conversa: ciência. Pela primeira vez em Fortaleza, o evento irá levar pesquisadores a três redutos boêmios. Pretexto para apresentar temas acadêmicos num formato acessível e descontraído. A cada dia, um lugar diferente. Os bate-papos estão marcados para os dias 14, 15 e 16 de maio e ocorrem simultaneamente em 66 cidades do Brasil e em 21 países.
 

A coordenadora do evento em Fortaleza, Ana Elisa Sidrim, adianta que os temas dos debates são “diversos para os mais variados públicos, atuais, relevantes, e com impacto direto na vida das pessoas”. Ela, que é analista de Comunicação da Embrapa, explica que o trabalho realizado no festival é voluntário e sem fins lucrativos e que não há cobrança de ingressos. “A expectativa é de até 200 pessoas por dia. Essa é a capacidade de atendimento que a gente tem”, complementa.
 

A primeira conversa será com a professora Márcia Machado, pró-reitora da Universidade Federal do Ceará (UFC), que vai falar sobre neurociência e afetividade. A enfermeira e pós-doutora em saúde pública por Harvard (EUA) fala sobre as conexões neurais ativas desde o início da gestação e sobre a formação de vínculos afetivos desde a primeira infância.
 

Para ela, hábitos simples, como a contação de histórias, conversas e o colo, são importantes para evitar fatores de risco como irritabilidade, falta de concentração na escola e dificuldades de relacionamento. “A linguagem desses debates é transversal e acessível para qualquer pessoa, de qualquer idade. E é no bar que vamos encontrar uma população de adultos a serem sensibilizados sobre o enfoque na criança”, defende.
 

O segundo convidado da primeira noite de evento é o médico epidemiologista e professor da Universidade de Fortaleza (Unifor) Antonio Silva Lima Neto. O profissional traz o tema “Saúde e Violência nas Cidades Invisíveis de uma Metrópole”. Ele apresentará informações sobre a distribuição de doenças ou acontecimentos como homicídios ou gravidez na adolescência de acordo com fatores de risco de determinados pontos da cidade.
 

“Vou procurar mostrar que uma metrópole se faz de múltiplas cidades infinitamente distantes e a compreensão dessa realidade é fundamental para que possamos tratar a cidade melhor”, diz. O local das duas primeiras conversas é o restaurante Cantinho do Frango.
 

No segundo dia, o debate segue para o Brava Boteco Carnes e Frutos do Mar, no bairro Edson Queiroz, e traz, primeiro, o professor da UFC José Soares de Andrade Júnior falando sobre Física aplicada às ciências sociais, política e neurociência. “Tem que explicar tudo sem muitas tecnicalidades. É um a física que as pessoas não estão acostumadas”, diz. Dentre os tópicos a ser abordados, estão conceitos como geometria das redes sociais, propagação de informações em redes e a capacidade do cérebro de sincronizar várias  atividades cognitivas ao mesmo tempo. 


Depois do primeiro tema, o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical Guilherme Julião Zocolo, doutor em Química Analítica, puxa a conversa para a valorização da biodiversidade brasileira e a importância de trabalhos em busca de novos produtos naturais na área de estudo.
 

No terceiro dia de encontro, o doutor em astrofísica Daniel Brito de Freitas, professor da UFC, falará sobre as novidades em relação à exoplanetologia ou, como ele explica, “uma viagem a procura de uma segunda terra diante do quadro atual do desenvolvimento científico”. Já Kaio César Simiano Tavares, médico veterinário, doutor em biotecnologia, professor e pesquisador da Unifor, leva o debate para os rumos e possibilidades de manipulação do DNA e correção genética. O ciclo se encerra com uma conversa sobre a ciência das frutas, com a pesquisadora da Embrapa Andréia Hansen Oster.
 

O objetivo do evento é proporcionar a aproximação entre o que está sendo realizado na academia e o público, lembra Daniel Brito. Ele já participou de um outro projeto que promovia conversas científicas em bares em Natal (RN) e garante o retorno do público. “As pessoas ficam muito empolgadas quando alguém da academia se aproxima delas e traz questões que são de interesse da população em geral”, comenta.
 

Cada pesquisador tem 20 minutos para introduzir o tema e, em seguida, deve abrir espaço para ao bate-papo. Ainda de acordo com Daniel, o formato também foi pensado de acordo com princípios da neurociência, que busca identificar o intervalo de tempo em que as pessoas conseguem manter-se atentas a um assunto. 

 

ORIGEM
 

O primeiro Pint of Science ocorreu na Inglaterra, em 2013. A ideia surgiu depois que os neurocientistas Praveen Paul e Michael Motskin trouxeram pessoas com alzheimer, parkinson, doenças neuromusculares e esclerose múltipla para conhecer de perto as pesquisas que estavam sendo realizadas nos laboratórios. Inspirados nessa experiência, os dois decidiram criar um evento que levasse os cientistas a conversar diretamente com as pessoas fora dos limites do ambiente acadêmico. 

 

SERVIÇO
 

Festival Pint of Science
 

De 14 a 16 de maio, das 19h30min às 21h

Dia 14/5
 

Cantinho do Frango (Rua Torres Câmara, 71 - Aldeota)
 

> Neurociência e afeto: a importância da formação de vínculos desde a primeira infância - Márcia Machado
 

> Saúde e Violência nas Cidades Invisíveis de uma Metrópole - Antonio Silva Lima Neto

Dia 15/5
Brava Boteco Carnes e Frutos do Mar (Rua Prof. Wilson Aguiar, 78 - Edson Queiroz)
 

> A Física simples de sistemas complexos: aplicações em ciências sociais, políticas, neurociência e (até mesmo!)
em Física - José Soares de Andrade Júnior
 

> Valorizando a Biodiversidade por meio da Pesquisa em Química de Produtos Naturais - Guilherme Julião Zocolo

Dia 16/5
 

Boozer’s Pub (Rua Carlos Vasconcelos, 834 - Meireles)
 

> Em Busca da Terra 2.0- Daniel Brito de Freitas
 

> Recortando e colando o DNA com CRISPR: como essa técnica pode  revolucionar o nosso futuro - Kaio César Simiano Tavares
 

> A ciência na fruta nossa de cada dia - Andréia Hansen Oster


ROSE SERAFIM

ESPECIAL PARA O POVO
roseserafim@opovo.com.br

GABRIELLE ZARANZA

TAGS