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Abuso de tecnologias digitais pode trazer prejuízos para a saúde do corpo

| TECNOLOGIAS | Companheiros diários no cotidiano, dispositivos como computador, notebook, tablet e smartphones podem ser nocivos à saúde se utilizados de forma abusiva e sem cuidados. Mobiliário e postura corretos, além de pausas nas atividades, podem minimizar esses problemas

01:30 | 24/04/2018
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A naturalização do uso intensivo dos aparelhos digitais nos fazem esquecer, muitas vezes, que somos seres humanos utilizando máquinas. E, no entanto, que a “máquina” mais importante a prezar é o próprio corpo humano. Essa consciência alerta para o fato de que precisamos tomar cuidados para aproveitar tudo o que a tecnologia tem a nos oferecer sem que isso resulte em problemas de saúde. Lesão por esforço repetitivo (LER), distúrbios ósseos musculares, “pescoço de texto”, olho seco, bem como fadiga e dores musculares são comuns se alguns cuidados não forem tomados.


Essa perspectiva alerta para a importância do uso correto do celular e do computador tanto no trabalho quanto nas horas de lazer, defende Mariana King Pádua, fisioterapeuta especialista em ergonomia digital. “É importante saber o mobiliário correto e o posicionamento correto do corpo para não sobrecarregar músculos e articulações”, ressalta. Postura e mobília adequadas, segundo ela, evitam a aceleração do processo de desgaste do corpo e, dessa forma, do desenvolvimento de algumas doenças.


Membro do Delete, instituto especializado em detox digital do Instituto de Psiquiatria (Ipub) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela destaca o chamado “pescoço de texto” como o principal problema no uso incorreto do celular. “As pessoas tendem a segurar o celular mais embaixo e ficam olhando para baixo”, explica, destacando que a cabeça pode chegar a pesar 60 kg dependendo de seu posicionamento.


Conforme Mariana, a cada hora é preciso parar a atividade no celular ou computador e relaxar. “Existem exercícios de relaxamento que você pode trabalhar, como dar uma espreguiçada, mudar a posição. Alongar mão, punho, dedos, espreguiçando mesmo para evitar que eles fiquem em posição só de flexão (quando você dobra o dedo). Isso pode fazer você mesmo, independente de tratamento, de forma preventiva”, orienta.


A atenção direcionada à tela, muitas vezes, faz com que os usuários pisquem menos o olho, detalha Joana Gurgel, oftalmologista do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC). “O fato de não piscar o olho gera desconforto visual. O olho fica seco, com ardor, lacrimejamento, fotofobia (incômodo com a luz). Isso também gera dor de cabeça, cansaço visual e coceira”, relaciona.


De acordo com ela, em cada hora utilizando o computador, tablet ou celular é preciso ficar 10 minutos sem olhar para a tela para descansar a visão. “Você pode fazer exercício visual, pegar um livro ou outro objeto, olhar perto e depois olhar para longe”, sugere.


“É fundamental a consciência de que nós somos humanos usando uma máquina e não dependendo de uma máquina. É muito importante saber que temos limites e um corpo físico que precisa ser cuidado”, avalia Mariana.

 

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