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Perigo! Escorpiões

É nessa época chuvas que escorpiões, mosquitos, entre outros aracnídeos e insetos costumam migrar e aparecer nas residências. Deixar o ambiente limpo é a melhor maneira de se prevenir

01:30 | 23/02/2018

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Desde que um escorpião surgiu no ralo do banheiro do quarto de Luísa Araújo, 68, no início de janeiro deste ano, a aposentada não descuida. “Era pequenininho e matei com um cabo de vassoura. A gente tem o maior cuidado, principalmente porque o meu neto, de 3 anos, vem sempre aqui”, conta ela.

 

Em 2017, 3.102 pessoas picadas por escorpião foram atendidas no Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox), que funciona no Instituto Doutor José Frota (IJF). Com o período chuvoso, iniciado em fevereiro, aumenta a incidência desse tipo de atendimento.

 

Isso porque insetos, escorpiões e aranhas costumam se esconder em papelões, sapatos e outros locais dentro de casa. Professora do departamento de Biologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ana Fontenele Urano Carvalho, conta que a época é propensa para o surgimento não só de escorpiões, mas também de mosquitos, inclusive o Aedes Aegypti, e muriçocas. “Parte da vida dos mosquitos é aquática. Na natureza, eles depositam ovos em folhas ou em lugares reservados e escuros e eles evoluem na forma de larvas e dão origem ao inseto adulto”, aponta.

 

Nesse período de chuvas, também há um desalojamento de baratas por conta da água, segundo Ricristhi Gonçalves, bióloga e técnica do Controle de Vetores, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Como predadores naturais da barata e de pequenos insetos, os escorpiões, antes vivendo nos ralos e esgotos, vão atrás de novo abrigo e de alimento. Por conta disso, nesta época do ano, é mais comum o aparecimento deles em ambientes urbanos.

 

Farmacêutica do Centro, Karla Magalhães avisa que o risco maior de morte é para crianças pequenas. “As pessoas têm a ideia de que o escorpião pica e elas morrem na hora. Mas não é assim que ocorre. O risco de morte para um ser humano adulto, que pesa entre 50 e 70 quilos, é baixíssimo”, explica.

 

O risco maior é de causar envenenamento grave em crianças, por conta da relação dose do veneno e peso. “É importante manter a calma, lavar o local com água e sabão e saber que é comum a área ficar bastante dolorida”, recomenda.

 

SERVIÇO

 

O Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) funciona no Instituto José Frota, na rua Barão do Rio Branco, 1816 - Centro. Informações: 3255 5050

 

DICAS DE PREVENÇÃO

 

> Separar o lixo em sacos plásticos e colocá-los na rua somente no horário de coleta

 

> Limpar as calhas, tampar e vedar bem quaisquer recipientes que possam acumular água. Caixa d’água deve ser mantida limpa

 

PROTEÇÃO INDIVIDUAL

 

> Utilizar equipamentos de proteção individual (EPI), como luvas de raspa de couro e calçados fechados, durante o manuseio de materiais de construção (tijolos, pedras, madeiras e sacos de cimento); transporte de lenhas; movimentação de móveis; atividades rurais; limpeza de jardins, quintais e terrenos baldios, entre outras atividades

 

> Olhar sempre com atenção o local de trabalho e os caminhos a percorrer

 

> Não colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou entre pedras. Caso seja necessário mexer nesses lugares, usar um pedaço de madeira, enxada ou foice

 

> Inspecionar roupas, calçados, toalhas de banho e de rosto, roupas de cama, panos de chão e tapetes, antes de usá-los

 

> Afastar camas e berços das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários

 

PROTEÇÃO DA POPULAÇÃO

 

> Não depositar ou acumular lixo, entulho e materiais de construção junto às habitações

 

> Evitar que plantas trepadeiras se encostem às casas e que folhagens entrem pelo telhado ou pelo forro

 

> Limpar regularmente móveis, cortinas,
quadros, cantos de parede e terrenos baldios (sempre com uso de EPI)

 

> Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés

 

> Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos

 

> Manter limpos os locais próximos das residências, jardins, quintais, paióis e celeiros

 

> Combater insetos, principalmente baratas (são alimentos para escorpiões e aranhas)

 

> Preservar os predadores naturais dos animais peçonhentos

 

Fonte: Associação Cearense das Empresas de Controle de Pragas (ACEPRAG)

 

ANGÉLICA FEITOSA

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