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Rapidinha: Pouco tempo, muito prazer!

Dez a 15 minutos encontrados na rotina apertada podem ser o suficiente para incrementar e apimentar a vida sexual. Confira dicas para aproveitar o tempo curto

01:30 | 30/01/2018


Nas escadas, na praia, no carro ou em casa mesmo. Não há empecilho, quando o desejo é compartilhado. Para o bom sexo, afinal, não há lugar nem tempo pré-definidos. Especialistas consultados pelo O POVO explicam que a famosa rapidinha vale muito à pena quando a ocasião ou a agenda não colaboram. Definitivamente, sexo não é formalidade.

 

Psicóloga e sexóloga, Zenilce Bruno diz que a rapidinha não é um sexo mal feito. “A qualidade não está diretamente relacionada ao tempo dedicado, mas ao desejo e à integração entre as pessoas envolvidas”, pontua.

 

Para o universitário Antônio Melo, 21, solteiro e bissexual, a rapidinha não está necessariamente associada à penetração ou à ejaculação rápida. Pelo contrário: “Pegação, bons beijos e oral gostoso” fazem o conjunto para os 10 ou 15 minutos antes de sair de casa, ou mesmo no estacionamento. “O importante é focar no prazer, investindo nas preliminares e não deixar o nervosismo atrapalhar”, cita, referenciando a adrenalina como aliada.

 

“É um sexo rápido ou sem compromisso? O sexo rápido pode ter sentimento envolvido e o sem compromisso pode ser inclusive bem demorado”, avalia Zenilce.

 

Mesmo reconhecendo que assuntos relacionados à sexualidade são tabu a ser enfrentado, uma professora de 27 anos preferiu ser identificada apenas pelas iniciais na matéria. Em relacionamento heterossexual há um ano e meio, C. W. incorpora as rapidinhas na rotina sexual com o parceiro, “em meio à correria da semana”. “São ocasiões totalmente não planejadas e o sexo não combinado fica muito melhor. Rola quando nossa filha tá na creche ou num horário de almoço”, diz. Para ela, “na quentura do momento”, não pode faltar o papo: “Tem que falar alguma safadeza”.

 

Ampliando a frequência de relações sexuais ou sendo parte das fantasias do casal, a rapidinha é possibilidade. O que não se recomenda é que o sexo superficial e/ou de rápida duração vire a rotina, de acordo com a ginecologista e sexóloga Margarete Fichera. “O sexo sem amarras e limitações tem que fazer parte. As trocas e os carinhos podem ser restringidos quando se tem pouco tempo”, adverte.

 

As especialistas consultadas pelo O POVO concordam: não há receita para uma boa rapidinha. O prazer dos envolvidos deve ser priorizado, assim como o respeito às opções e preferências de cada um. Com intimidade, sintonia e tesão, a probabilidade de sucesso é maior.

 

Dicas para um sexo rápido com qualidade

 

RAPIDINHA também pode fazer parte da vida sexual da pessoa idosa. “Há desejo, fantasia e tesão após os 60 anos. As pessoas nesta faixa etária não sentem, porém, necessidade de chegar ao orgasmo”, conta Margarete Fichera. Ela fala sobre um sexo ressignificado, reconstruído, readaptado. Sobre o prazer com excitação, muitas vezes sem penetração, sem ejaculação. Sobre possibilidades: a beleza do sexo maduro.

 

CRIATIVIDADE é necessária para o sexo em lugar incomum. Com bom senso, é possível improvisar e encontrar ocasião após a “pegação” no cinema ou antes do expediente começar. Assim, as fantasias podem ser mais facilmente realizadas.

 

O INUSITADO e o perigoso têm valor. Com o calor do momento, um tiquinho a mais de vergonha e um punhado de adrenalina, a receita é boa. Mas a rapidez não exclui a proteção: usar camisinha evita doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada.

 

HÁ LIMITAÇÕES de tempo, espaço e possibilidades numa rapidinha. Contudo, dá para fazer muita coisa abrindo apenas zíperes e botões.

 

MAIS “FRENÉTICA E QUENTE”, a rapidinha apimenta a relação. É dica da sexóloga Margarete Fichera para variar as modalidades e aumentar a frequência da prática sexual, inclusive para casais juntos há mais tempo, por “quebrar a monotonia”.

 

MESMO NA RAPIDINHA, entre 10 e 15 minutos, é possível explorar o lúdico. Tirar a roupa devagarzinho, masturbar um ao outro, usar brinquedos eróticos e dar beijos demorados, por exemplo, não são exclusividades do sexo de mais longa duração.

 

NÃO É PORQUE É RÁPIDO que não tem qualidade: é possível chegar ao orgasmo, ter um momento bonito. Tempo e satisfação nem sempre são diretamente proporcionais.

 

SEGUIR O IMPULSO SEXUAL pode afastar inibições e tensões. Entretanto, o respeito a(o) parceira(o) é o guia que deve prevalecer. Cuidado ainda com o local: praticar ato obsceno em local público ou de acesso ao público é crime, no Brasil.

 

RAPIDINHA não é apenas penetração e gozo rápidos. Pelo contrário, pode-se usar apenas das preliminares. Mãos e boca podem ser, na verdade, as melhores ferramentas. “Quanto mais crescemos em opções, mais encontramos realizações na vida sexual e amorosa”, recomenda Zenilce Bruno

 

GEMIDOS, gritos e sussurros talvez sejam impossíveis no sexo em alguns locais. Mas eles funcionam ainda como termômetro para o prazer do outro. Além disso, orientar o parceiro é importante, quando se tem tempo reduzido.

 

LUCAS BRAGA

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