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Copa América está devendo?

| Decepção | Com ingressos caros, baixa média de público e nível técnico insatisfatório, torneio se aproxima do fim sem empolgar

06/07/2019 02:35:57
BRASIL x Argentina teve o maior público pagante do torneio até agora: 52.235
BRASIL x Argentina teve o maior público pagante do torneio até agora: 52.235 (Foto: Douglas Magno / AFP)

Mobilização de um país inteiro, presença de centenas de estrangeiros, engajamento de todo um continente, estádios lotados e jogos atrativos. Todos os elementos atribuem relevância e atratividade aos torneios continentais de futebol, que ficam abaixo apenas da Copa do Mundo. A Copa América 2019, porém, pouco teve de tais ingredientes. E não fossem os jogos da seleção brasileira, a situação seria ainda pior.

O maior retrato do fiasco da competição foi o empate em 1 a 1 entre Equador e Japão, na primeira fase da competição. Ao todo, foram meros 2.106 pagantes no Mineirão, em Belo Horizonte (MG), gerando uma renda de R$ 301.525,00. Várias gratuidades foram distribuídas, sobretudo para crianças de escolas públicas. A louvável iniciativa fez com que o público total subisse para 9.729 presentes, sendo 7.623 não-pagantes. Número incongruente com as médias internacionais de frequência aos estádios em jogos de selecionados.

A média de 25.345 pagantes por jogo na primeira fase foi considerada boa pela organização, apesar de ter sido elevada basicamente pelos jogos do Brasil, os de maiores públicos — juntamente de Chile 0 x 1 Uruguai. Apesar disso, não chegaram, de fato, às expectativas.

"É natural, em qualquer evento esportivo, que tenhamos algumas partidas com mais apelo. Vamos com naturalidade. Acho que no todo estamos com um lado positivo. A competição continua gerando interesse à medida que cresce", disse Agberto Guimarães, diretor-geral do Comitê Organizador Local (COL), em recente entrevista coletiva.

A estreia do Brasil, a vitória por 3 a 0 sobre a Bolívia, no Morumbi, teve 46.342 pagantes, correspondendo a 69,7% da ocupação do estádio do São Paulo. A renda, entretanto, foi de escolantes R$ 22.476.630,00 — ou seja, média de R$ 485,01 por ingresso. O contraste escancara uma das causas de esvaziamento nos estádios: o preço astronômico dos ingressos.

Para a final da competição, contra o Peru, amanhã, no Maracanã, os preços variavam de R$ 130 (meia-entrada da categoria 4) a R$ 890 (inteira da categoria 1), mas não há mais ingressos disponíveis no site oficial de vendas. Por cambistas, entradas são vendidas até por R$ 2 mil.

Além dos altos valores necessários para aquisição dos bilhetes, o nível técnico também contribuiu para não tornar as partidas tão atraentes. Muitos confrontos desinteressantes, sobretudo na primeira fase, foram incapazes de gerar engajamento no público, que passou a ser mais assíduo nos jogos eliminatórios, de quartas de final e semifinal. A presença dos asiáticos Catar e Japão, convidados da edição, foi meramente figurativa, com ambos ficando entre os quatro eliminados na primeira fase.

De toda forma, a Copa América realizada no Brasil chega ao seu desfecho sem o encantamento esperado. Dentro de campo, a Amarelinha tem boas possibilidades de levantar o caneco pela primeira vez desde 2007. Mas é certo que, fora das quatro linhas, ficou mais uma vez provado que ainda há muito que se evoluir.

 

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Andre Almeida