PUBLICIDADE
Jornal
VERSÃO IMPRESSA

O Método Ceni: ideias e conceitos de jogo do técnico do Fortaleza

Treinador aproveita intertemporada para reforçar conceitos táticos e aguarda contratação de um meia para testar nova formação

02/07/2019 01:55:05
CENI diz aguardar a chegada de um segundo
CENI diz aguardar a chegada de um segundo "camisa 10" para ter outra opção tática para o time (Foto: Fabio Lima/Fabio Lima)

A organização e a disciplina tática são características que chamam a atenção no Fortaleza desde que Rogério Ceni comandou o clube à beira do gramado pela primeira vez, em 13 de janeiro de 2018, na vitória por 3 a 0 sobre o Gama-DF, em amistoso disputado em Brasília. Nesses 18 meses, muita coisa mudou, incluindo atletas, modelo de jogo e sistema tático. O que não mudou foi a forma inteligente com que o comandante leonino enxerga o time de acordo com as cuidadosas análises. O Fortaleza versão 2019 tem suas peculiaridades na maneira de jogar, e tudo indica que terá ainda mais no 2º semestre. Fruto de muito estudo de seu comandante.

Todos os treinos com bola são filmados pelo departamento de análise de desempenho do Tricolor, que dispõe de drone que capta imagens aéreas que facilitam a visão do posicionamento dos atletas. Ceni gosta de analisar o material bruto e assiste todas as filmagens para definir o modelo de jogo.

O esquema tático não deve ser a única referência de posicionamento para os jogadores, mas a dinâmica de jogo também faz com que as equipes de movimentem em função dela. O modelo de jogo é a orientação dos jogadores quando eles atacam, defendem e fazem transições.

A importância do treino se dá por ser nele que vai se criar referências de comportamentos individuais e coletivos num time. Isto porque não basta que o treinador fale o que deseja para sua equipe. Ele precisa criar um processo de treino adequado para que seus jogadores sejam capazes de exprimir estes comportamentos em situação de jogo. Rogério Ceni faz isso.

Manutenção da posse de bola, compactação (enquanto defende, torna o campo pequeno), amplitude (quando ganha a bola, torna o campo grande), perde-pressiona (buscar recuperar a bola assim que perde), equilíbrio (distribuição dos jogadores em campo de forma homogênea) e apoio (maior número possível de opções de passe ao portador da bola) são alguns dos conceitos bem trabalhados pelo treinador.

O que se viu na maioria dos jogos até agora foi um Fortaleza dinâmico e direto, postado num 4-4-2, com duas linhas de quatro compactas e muita mobilidade dos homens ofensivos. O Leão foi mais reativo ou buscou maior posse de bola dependendo do rival. Mudou a estratégia, mas o modelo de jogo era o mesmo, baseado no jogo de posição, um conceito tático de Ceni que dá importância aos posicionamentos dos atletas, com o objetivo de criar superioridade numérica.

Após dias mais voltados para a preparação física e técnica, é nesta semana agora, a primeira de julho, que o Tricolor terá mais trabalhos visando a parte tática. É o momento em que Rogério vai aprimorar esse sistema que já jogou a maioria das partidas e trazer um outro sistema pra determinado tipo de confronto.

O treinador já havia admitido que buscaria uma alternativa para o esquema que foi utilizado até então. Para isso, porém, aguarda a chegada de um meia. Na última sexta-feira, o presidente Marcelo Paz garantiu que está com negociações avançadas com um atleta para a posição.

"Pretendo sim (trabalhar outro sistema), desde que eu tenha mais um jogador pra efetuar a função do Dodô, porque se não, é muito desgastante treinar tendo apenas um jogador pra posição. E trazer um outro sistema pra determinado tipo de jogo. Em casa, fora, contra quem seja o adversário...enfim, dependendo das peças que tem. Mas eu gostaria de agora, sim, trabalhar um sistema diferente desse que foi usado a maioria dos jogos que a gente teve", disse Ceni, em entrevista coletiva após a vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, no dia 12 de junho.

O sistema em questão é mais semelhante ao utilizado no ano passado, com um meia-armador "camisa 10", que atue centralizado e possa "pensar o jogo". Hoje, Ceni tem Dodô como o único atleta no elenco que pode desempenhar tal função.

Mais que mudar a nomenclatura de 4-4-2 para 4-3-3, tal esquema possibilita uma identidade mais semelhante à do ano passado, com um time que se impõe e se instala no campo adversário, procurando ter a posse de bola não somente para atacar, mas para controlar o oponente.

O Fortaleza tem um modelo de jogo tão bem enraizado e compreendido pelos seus atletas graças ao trabalho do dia a dia que desenvolve tal sistemática, e esse é, sem dúvidas, um dos grandes trunfos do "Método Ceni".

A série

"O Método Ceni" traz, desde domingo, análise profunda das estratégias montadas pelo técnico do Fortaleza desde a chegada ao clube

O Método Ceni

As três reportagens da série, publicadas entre domingo e hoje, podem ser acessadas em opovo.com.br/esportes

Andre Almeida