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Polícia contra o racismo

|COMBATE AO PRECONCEITO| Discurso racista do dirigente Adilson Filho, do Santos, vai virar inquérito policial

25/04/2019 09:14:51
O SANTOS, de Pelé e Neymar, não combina com a fala racista de Adilson Filho
O SANTOS, de Pelé e Neymar, não combina com a fala racista de Adilson Filho (Foto: Reprodução/Conmebol)

O advogado paulista André dos Santos registrou uma notícia-crime após o vazamento de áudio racista de Adilson Durante Filho, conselheiro do Santos Futebol Clube e ex-secretário-adjunto de Turismo do município de Santos, contra pessoas da cor "parda".

No áudio, que se tornou público na última quarta-feira, 18, Adilson Filho afirma que: "Esses caras (pardos), tem que desconfiar de todos. Essa cor é a mistura de uma raça que não tem caráter. É verdade, isso é estudo. Tem que tomar cuidado com todo pardo, todo mulato. Os pardos brasileiros são todos mau-caráter. Não tem um que não seja", discorreu o dirigente santista sem demonstrar constrangimento pelo discurso racista ao longo de 53 segundos de gravação

A queixa do advogado foi protocolada ontem, na Delegacia Seccional de Santos, baseada no artigo 20, "caput", da Lei nº 7.716/89: "Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional".

A pena é de reclusão de um a três anos, além de multa. O documento se baseou em matérias jornalísticas a respeito do caso.

"Faço isso não por mim apenas, mas pelo meu pai, pela minha mãe, pela minha irmã, tios, tias e avós e, especialmente, pela minha filha, pois o caráter de um homem jamais poderá ser medido em razão da sua cor, da sua crença, origem ou coisa que o valha, sendo esse, inclusive, o entendimento que sempre me guiou", disse o advogado.

Conselheiros do Santos conversam para protocolar um requerimento para a expulsão de Adilson Durante, conhecido como "Adilsinho" e ex-diretor da base e do profissional do clube na última década. São necessárias pelo menos 20 assinaturas para o caso ser encaminhado à Comissão de Inquérito e Sindicância.

O Em comentários nas redes sociais, Adilson Filho pediu desculpas pelo o que disse. "Jamais tive a intenção de atingir quem quer que seja, até porque assim me manifestei em um pequeno grupo de supostos amigos de WhatsApp. Consigno que não tenho qualquer preconceito em razão de cor, raça ou credo, pois minha criação não me permitiria ser diferente". (Gazeta Esportiva).

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