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Ministério Público promete fazer fiscalização de alojamentos de clubes cearenses

Procurador-geral de Justiça do Estado, Plácido Rios determina vistoria após tragédia no Centro de Treinamento do Flamengo, em que dez adolescente morreram

PARTIDA entre Ceará e Fortaleza válida pelo Estadual Sub15 de 2017
PARTIDA entre Ceará e Fortaleza válida pelo Estadual Sub15 de 2017

Para evitar tragédia semelhante à registrada no Ninho do Urubu, Centro de Treinamento (CT) do Flamengo, o procurador-geral de Justiça do Estado do Ceará, Plácido Rios, determinou que o Núcleo de Defesa do Torcedor (Nudetor) adote providências no sentido de fiscalizar, com auxílio do Corpo de Bombeiros, os alojamentos e espaços dos CTs dos clubes cearenses. Dez jovens atletas das categorias de base morreram no incêndio registrado em acomodação da agremiação carioca, uma das maiores equipes do País.

O POVO procurou os três maiores clubes do Estado, Ceará, Ferroviário e Fortaleza, para apurar sobre as condições atuais dos alojamentos e sobre como é desenvolvido o trabalho nas categorias de base de cada. Apenas o Tubarão da Barra não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Alvinegro e Tricolor garantem que toda a estrutura de alojamento para os jovens atletas está regularizada, com alvarás e laudos de vistoria do Corpo de Bombeiros. O POVO entrou em contato com o órgão municipal, via email, mas não recebeu nenhuma resposta até o fechamento desta matéria.

O alojamento do Fortaleza é instalado na sede do clube, no Pici, e tem vaga para 40 jogadores. No entanto, toda a categoria de base do clube deve ser transferida em cerca de três meses para o CT Ribamar Bezerra, em Maracanaú, onde poderá receber até 60 atletas. Já a estrutura do Ceará, na Cidade Vozão, em Itaitinga, tem capacidade para atender 76 atletas com 19 apartamentos disponíveis. Entretanto, nenhuma das equipes opera atualmente com capacidade máxima.

Os clubes do Clássico-Rei do futebol cearense disponibilizam aos jovens alojados serviço de alimentação e acompanhamento médico, dentário, de assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos. Os garotos também têm acompanhamento educacional para conseguirem concluir os estudos.

"Um dos motivos de não ter transferido (o alojamento) é porque o CT foi construído agora. Não temos ainda os alvarás. Não podemos levá-los pra lá. Com a tragédia, antecipamos algo que já estava na nossa programação. Teve uma reunião à tarde com o vice-presidente (do Fortaleza) Rolim Machado e a gente da base. Ele está contratando uma empresa para realizar uma inspeção predial para verificar se está tudo sob controle", comentou Roberto Moreira, diretor das categorias de base do Leão.

Conforme o procurador do Trabalho, da área de Combate ao Trabalho Infantil do Ministério Público do Trabalho do Estado (MPT-CE), Antonio de Oliveira Lima, a situação dos adolescentes nos CTs de Ceará e Fortaleza foram alvo de vistorias e trabalhos do órgão em 2016. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado pelo Tricolor. "O Fortaleza se comprometeu a adotar medidas em relação ao trabalho de adolescentes. Já o Ceará disse que estava em cumprimento com a lei, mas não quis assumir o compromisso com o TAC. A gente ajuizou uma ação civil pública, em 2018, que ainda não foi julgada. A empresa está com um prazo para apresentar documentação que comprove regularidade, e a Vara do Trabalho de Pacajus irá julgar", afirma o procurador.

O TAC assinando com o Fortaleza determina que o clube dê residência nos alojamento para atletas somente a partir de 16 anos, assistência médica, odontológica e farmacêutica, alimentação adequada, contato telefônico com os pais, transporte para visitas aos parentes em período em férias e mantenha o adolescente em estabelecimento regular de ensino.

O gerente administrativo da base do Ceará, Nandi dos Santos, explica que o clube tem ciência do TAC proposto pelo Ministério Público do Trabalho, mas optou por não assinar. "Nós, como clube formador, já fazemos quase todas as solicitações do TAC", informou, ressaltando que não há obrigatoriedade do clube na assinatura. 

Lucas Mota e Domitila Andrade