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A Força do nordeste

| PARTICIPAÇÃO RECORDE | Em 2019, a Série A pode ter a presença de até seis clubes nordestinos, quantidade nunca antes vista em uma edição de pontos corridos

01:30 | 13/11/2018

A elite do futebol brasileiro pode ter participação recorde de clubes do Nordeste no formato de disputa de pontos corridos, em 2019. O melhor dos cenários aponta para seis equipes nordestinas disputando a próxima edição da Série A, incluindo os dois principais times cearenses, Ceará e Fortaleza.

 

O recorde de representantes da região em uma única edição da Série A desde a adoção dos pontos corridos, é de quatro. O caso ocorreu justamente neste ano, com as presenças de Ceará, Bahia, Sport-PE e Vitória-BA.

 

No próximo ano já estão garantidos pelo menos dois nordestinos na Série A. Um deles é o Fortaleza, que carimbou o acesso para a elite do futebol antecipadamente. A outra garantia é devido à confirmação de rebaixamento antecipado do Paraná. Desta forma, só podem cair mais três times, o que assegura que um dos quatro representantes do Nordeste na atual edição da Primeira Divisão permanecerá para o ano que vem.

 

O melhor dos cenários prevê o acesso do CSA-AL, junto ao Fortaleza, para a Série A e a permanência de Ceará, Bahia, Sport e Vitória. Entretanto, esta é uma projeção improvável. A maior probabilidade é de o recorde ser batido com a participação de cinco nordestinos.

 

Na atual Série A, o Vitória é o segundo clube com a maior chance de rebaixamento, com mais de 72%, após a confirmação da descida do Paraná. América-MG e Chapecoense-SC, das regiões Sudeste e Sul, fecham o Z-4 com as probabilidades mais altas de descenso, com 89,3%% e 64,1%. Os dados estatísticos são do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

Na briga contra o rebaixamento, mas com condições mais favoráveis, estão Ceará, Bahia e Sport. Do trio, os pernambucanos possuem a chance de queda mais elevada, com 29,3%, porém, é menos do que a metade da apresentada pela Chapecoense, conforme os dados da UFMG. O tricolor baiano tem chances remotas de cair, com 1,2%, enquanto os cearenses possuem 13,6%. 

 

Os dados da Série A foram colhidos antes do término de Santos x Chapecoense.

 

O CSA deve carimbar o acesso nas próximas rodadas. Vice-líder da Série B, atrás apenas do Fortaleza, os alagoanos têm mais de 92% de chances de subida, faltando duas rodadas para o fim da competição.

 

Fernando Ferreira, sócio-diretor da Pluri Consultoria, empresa referência em pesquisas sobre o futebol, atribui o cenário positivo à evolução na gestão dos clubes nordestinos. O Fortaleza e o Bahia, ressalta o especialista, são os grandes destaques da região atualmente. "Isso está se refletindo dentro de campo. O Fortaleza fez uma campanha em campo como os principais clubes brasileiros fazem quando jogam a Série B. É fruto de gestão", analisa, em entrevista ao O POVO.

 

Segundo o consultor, clubes de médio porte têm sido mais ágeis e eficientes na busca por inovação e melhorias do que os maiores do País. Para Fernando, se as equipes seguirem nessa linha de gestão, elas tendem a se consolidar, principalmente as marcas mais fortes do Nordeste: Ceará, Bahia e Pernambuco. "Para o Brasileirão é muito bom, porque são clubes de apelo popular, que enchem estádios e movimentam cidades. Acho que ano que vem tem chance de ter a maior média de público do futebol brasileiro nos últimos anos", afirma.

 

Ouvidos pelo O POVO, os presidentes de Ceará e Fortaleza, Robinson de Castro e Marcelo Paz, apontam a logística como um dos fatores positivos da maior presença do Nordeste na Série A, além da própria valorização do futebol da região.

 

"Valoriza a própria Copa do Nordeste por conta de os clubes estarem dentro do calendário nacional", diz Robinson. "Isso é ótimo. Fortalece a região do país que tem muito público consumidor, que adora ir aos estádios", afirma Paz.

 

LUCAS MOTA