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Que leve para sempre a culpa

01:30 | 12/07/2018

Decidi ver a semifinal na torcida da Inglaterra. Foram varias as razões. Primeiro, são animados e era notícia. Segundo, seria uma final com mais glamour.

A credencial não te dá direito a entrar na arquibancada. Mas até aí... botamos pra dentro da camisa e pronto.

Entrar no gomo de arquibancada dos ingleses demanda uma pitada de brasileirice. Você vai entrando, como se tivesse direito a tal. Se alguém perguntar, nem olha e vai andando.

Quando a falta acontece, eu “aviso” o colega que me acompanha. É meio gol. E é gol. Chove cerveja. Pulamos. É como se fosse um gol da Lusa em 2013. Nem lembrava. O futebol é contagiante.

Mas o resto do jogo, para os ingleses, é um filme de ação em que você está torcendo para o bandido. Tudo vai dando errado sucessivamente.

Eu conheço Colin. Um baita cara de Newcastle. Falo. “No segundo tempo vocês matam o jogo no contra-ataque”. Erro. Erro feio. Na Copa do 1 a 0, temos uma virada.

A poeira baixa. Chega o estresse da prorrogação. Eu realmente torci pela Inglaterra.

Mas aí chega ele, um torcedor inglês qualquer. Começo da prorrogação. Times se alongando. Ele quer descer, bem na escada onde estamos todos assistindo ao jogo de pé.

Eu abro caminho. Tiro meu amigo para que ele passe. Mas ele fica.

Ali. No topo da escada. Na frente de todos nós. Eu insisto. “Amigo, ele só saiu para você passar”.

“Fuck off”, é a resposta. E me dá um tapão. Derruba meu copo de cerveja, que eu estava preservando durante todo o jogo.

Briga? Não quero briga. Nunca briguei. Falo no ouvido dele, bem baixinho. “Se você me pagar uma cerveja, vocês vão ganhar. Se não pagar, vão perder”.

Ele quer me bater. Os outros separam. Ele perdeu. E que leve para sempre a culpa.

Os ingleses tem uma pitada de arrogância e agressividade que é a perfeita receita para a derrota.

Admito. É uma final sem graça. Mas só se você não for nem francês nem croata.

 

Por Julio Gomes