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Órfãos da seleção

01:30 | 11/07/2018

A semifinal já havia acabado fazia uma hora em São Petersburgo.

Mas lá estavam os torcedores brasileiros. Uns 100, mais ou menos.

Em volta deles, os seguranças do estádio faziam um cerco. Não estavam entendendo nada. O que estavam fazendo aqueles caras? Por que não iam embora?


Estavam cantando. Começou com o básico. Lê, lê, lê ô, Brasil. Passou pela dos “mil gols”. Chegou naquela maiorzinha, que inventaram para a Copa... 94, Romariôôô... 2002, Fenomenôôô... olê, olê, olê, olê.... Brasil olê olê olê.


Os franceses já tinham ido embora do estádio. Os belgas também.

Mas a turma queria cantar. Bem, a turma queria mesmo era que a seleção brasileira estivesse jogando aqui. A confiança era grande.

Por isso, milhares de brasileiros estavam prontos para a semifinal, com ingressos comprados.


Teve gente que foi embora daqui. Teve gente que conseguiu revender os ingressos. E teve gente, alguns milhares, que resolveu ir ao estádio. O jogo foi amarrado, as torcidas da França e da Bélgica eram pequenas, até deu para ouvir os brasileiros em algum momento no segundo tempo.


Dava para o Brasil, claro que dava. Mesmo com os erros que Tite cometeu (ele não é infalível), mesmo com Neymar jogando menos do que imaginávamos, ainda assim dava para o Brasil. Era aquela bolinha parada que não entrou com Thiago Silva ou Paulinho e que mudaria tudo.


A bolinha parada da França entrou. Contra o Uruguai, antes, e contra a Bélgica, ontem. O futebol de hoje em dia, equilibrado como nunca, passa por detalhes assim. O Brasil foi melhor que a Bélgica, mas não fez o gol. A Bélgica foi melhor que a França, mas não fez o gol. Ter uma defesa sólida e um cara que faça a diferença na frente é um modelo perfeito. É a França de Mbappé.


A torcida brasileira costuma ser bem chatinha em Copas. Apoia pouco, não ajuda o time. Essa que veio à Rússia poderia ter feito a diferença. Mas não teve a chance de participar de uma semifinal com o time.


A França tem menos torcida na Rússia, mas mais maturidade. Deschamps encontrou a mescla entre alguns veteranos e jovens que estão arrebentando. Terceira final nas últimas seis Copas. Tem de respeitar os franceses.

 

Por Julio Gomes 

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