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Copa da Rússia foi das mais bem organizadas e receptivas da história

RÚSSIA-2108. A mais cara Copa do Mundo da história foi também umas mais bem organizadas e surpreendeu em acolhimento

01:30 | 14/07/2018
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A Copa do Mundo mais cara da história das 21 edições valeu o investimento? Responder ao questionamento passa por uma série de aspectos que, antes da realização do evento, estavam envoltos em polêmica. Um mês depois da partida inicial, com os 12 estádios prontos e funcionando a contento, um sistema invejável de transporte gratuito, pastas específicas para evitar e conter incidentes homofóbicos e racistas e elevadas taxas de ocupação dos estádios durante os jogos, mostraram que a Copa do Mundo da Rússia, para quem viajou até o País, foi um sucesso.


Depois da Copa do Brasil, em 2014, o que se falava do frio país europeu era que acolhimento e hospitalidade, marcas tupiniquins, não seriam um ponto a se destacar após a maratona de jogos. Mas foi justamente isso que surpreendeu o jornalista esportivo Júlio Gomes, do Uol.

[SAIBAMAIS]

“A acolhida foi fantástica, realmente foi uma autodescoberta dos russos, acho que nem eles mesmos sabiam que eram tão acolhedores, hospitaleiros, e saberiam lidar com estrangeiros do jeito que lidaram, foi muito bacana. No Brasil, você já imagina que o brasileiro vai acolher o estrangeiro, o russo, não”, comenta Júlio, que escreve crônicas para O POVO desde o início da Copa.


O mesmo aspecto foi levantado pelo empresário pernambucano Matheus Lourenço de Andrade, 22, que destaca Samara como a cidade “mais emotiva e aconchegante”. Viajando com o pai e o tio, Matheus diz ter sentido que, afora a própria seleção, os russos nutriam torcida especial pelos brasileiros. “Tanto que depois da saída do Brasil e da Rússia, a Copa se tornou menos atrativa”, acredita.


Ao contrário do que se podia imaginar, por se tratar de um país entre a Europa e a Ásia e também pelo que demonstrou o desfecho da competição, latino-americanos eram os mais presentes no Mundial.


Em ranking divulgado pela Fifa ainda na primeira fase da Copa, sem contar os consumidores de ingressos do país-sede, estadunidenses, brasileiros, alemães, colombianos, mexicanos, argentinos, peruanos, chineses, australianos e ingleses completam as dez primeiras colocações dos que mais compraram ingressos para os jogos. Brasileiros foram os mais presentes nos estádios.


Com a expectativa de que o conservadorismo do País e as questões de liberdade de expressão e de gênero pudessem atrapalhar a lotação dos estádios, a taxa de ocupação na fase de grupos surpreendeu, chegando a 98% e a média de público foi de 45.394 espectadores. Ainda assim, de acordo com a CBF, os números foram menores que os alcançados ao fim da Copa do Brasil que foram de R$ 98,2% de taxa de ocupação e de 52.516 de média de público —a segunda maior média de ocupação da história, atrás somente da Copa do EUA, em 1994, com 68.991 torcedores por jogo — marca impossível de ser alcançada no Brasil ou na Rússia, devido a capacidade das arenas nos dois países.


Júlio, que visitou os 12 estádios, aponta ainda a pontualidade e bom sistema de trens que ligava as cidades-sede no maior país do Mundo em extensão.“Apesar das longas distâncias, que era superadas com programação, as pessoas puderam viajar pela Rússia de graça para assistir a todas as partidas”, relata. Para ele, afora a segurança que parecia exagerada em alguns momentos, a Copa da Rússia não teve falhas e, tendo ido a cinco Copas, acredita que este Mundial só não foi melhor que o da Alemanha, em 2006, em termos organizacionais.

“Foi uma Copa quase perfeita. Acho que a Rússia definitivamente superou expectativas”, opina. (Colaborou Chico Driessen)

 

Por Domitila Andrade

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