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Jornalistas analisam preparação da seleção para a Copa

| Seleção preparada | Jornalistas analisam ótimo desempenho da equipe de Tite na campanha até a copa: existe clima de confiança, mas sem "já ganhou"

01:30 | 12/06/2018

FAVORITA absoluta em 2006, a seleção de Parreira fracassou em meio ao
FAVORITA absoluta em 2006, a seleção de Parreira fracassou em meio ao "oba-oba" ANTONIO SCORZA/AFP
PARA ESPECIALISTAS, o time de Tite está preparado para não entrar no clima de
PARA ESPECIALISTAS, o time de Tite está preparado para não entrar no clima de "já ganhou" LUCAS FIGUEIREDO/CBF

A bagagem do técnico Tite foi cheia de vitórias para a Rússia. São 21 jogos à frente da seleção brasileira, com resultados animadores: 17 triunfos, três empates e apenas uma derrota, com cinco gols sofridos na trajetória até a Copa do Mundo.

 

Não se pode negar que o desempenho da Canarinho na “Era Adenor” deu ao torcedor motivos para sonhar com o hexa após o fatídico 7 a 1 no Mundial no Brasil, em 2014.

Passados os quatro anos do maior desastre do futebol brasileiro, a seleção chega nas terras do presidente Vladimir Putin no clima de “oba-oba”? Para especialistas ouvidos pelo O POVO, a avaliação é de que há um sentimento de confiança devido ao trabalho feito por Tite, Neymar e companhia até a Copa, mas sem o conceito exagerado de “já ganhou”.

Para Paulo Vinícius Coelho (PVC), jornalista e comentarista da Fox Sports, há uma contradição no “termômetro” geral sobre a equipe brasileira no Mundial. “Ao mesmo tempo que a gente (brasileiros) diz que não tem clima de Copa no Brasil, agora o Brasil ganhou da Áustria e fica um clima de ‘oba-oba’. Está se percebendo que a seleção chega forte. Na verdade, ela é candidata ao título, mas não favorita”, analisa PVC.

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O grupo que está na Rússia para disputar a Copa, avalia o jornalista, está ciente das possibilidades e da capacidade do time.

 

“Não acho que os caras já têm clima de já ganhou. Eles têm um clima de que vão entrar na Copa para ganhar. E têm condições de fazer”, afirma PVC.

Júlio Gomes, jornalista e blogueiro do UOL que vai colaborar na cobertura da Copa para O POVO, vê posicionamentos extremos e opostos em sua avaliação do clima do torcedor brasileiro nas redes sociais. “Tem gente muito eufórica para o bem e pessimista demais para o mal. O ideal não seria nem uma coisa, nem outra”.

O especialista acredita que o “oba-oba” dificilmente chega para os jogadores. “Eles ficam muito isolados. A não ser que a comissão passe a desprezar o adversário, o que é inimaginável. O trabalho de Tite e da comissão dentro do grupo é de respeito ao adversário o tempo inteiro”, explica.

Bruno Formiga, comentarista dos canais Esporte Interativo, afirma que nesta edição há peculiaridades no contexto do Brasil por questões políticas e econômicas.

“Acho que o torcedor entrou menos no clima. O ‘oba-oba’ é bem diferente de outras edições. Acho que nas pessoas há um otimismo, mas longe de clima de já ganhou até porque o torcedor parece bem escaldado por outras experiências”, conta.

Na opinião do jornalista, a Seleção chega como a mais preparada do Mundial. “Tudo parece tão profissional, pensado e planejado que até um eventual clima de já ganhou teria blindagem. O Brasil tem basicamente tudo: estrutura, modelo de jogo, desempenho, resultado, variações e peças individuais”, completa.

LUCAS MOTA